segunda-feira, 28 de julho de 2025

O Parque dos Cervos de Sarnath é onde você está

Em uma clareira pura na floresta, os pássaros cantam e o ar se enche de um suave perfume. Você vê um grupo de cervos pastando.

Ao olhar para a paisagem ondulante, você avista um homem de porte muito nobre sentado de pernas cruzadas no chão, com as costas eretas e o portamento solene, mas vestindo uma túnica monástica simples. Cinco monges o acompanham de perto, com os olhos semicerrados e completamente concentrados na escuta.

Enquanto você caminha por ali, sente uma profunda sensação de paz. O rosto desse homem é sereno e belo, como se irradiase luz. Sua voz, embora suave, ecoa com clareza até o lado oposto da clareira.

Esse homem fascinante pronunciou uma frase que o fez parar para ouvir:

“Bhikkhus, qual é a verdade do sofrimento? Nascer é sofrimento, envelhecer é sofrimento, adoecer é sofrimento, morrer é sofrimento. Estar separado de quem se ama é sofrimento. Desejar algo e não conseguir é sofrimento. Em resumo, a natureza humana, por se apegar com facilidade, gera sofrimento.”

Você fica profundamente cativado. Nos momentos mais dolorosos de sua vida, foi por acaso que encontrou esse homem, acompanhado de seus cinco discípulos, naquela clareira. A voz dele, grave e poderosa, descrevia com solenidade o Caminho do Meio e o Nobre Caminho Óctuplo.

De repente, você se vê sentado na relva, absorvendo cada palavra daquele que todos chamam de Buda. Esse encontro casual marca o instante em que o Buda “gira a roda do Dharma” — mais precisamente, o Sutra do Giro da Roda do Dharma.

Não é difícil imaginar. Eu e muitos que conheço encontramos o Buda dessa forma por acaso — não necessariamente no Parque dos Cervos de Sarnath, mas ao ler seus ensinamentos, como se estivéssemos ali presentes.

Quando estudo os sutras, medito ou recito os textos, procuro me imaginar dentro daquela clareira. É uma forma magnífica de praticar e absorver o Dharma.


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28 de julho, dia comemorativo do Primeiro Discurso do Buda após a sua iluminação ("Chokor Duchen") 

Melhor ajustar as velas do que culpar os ventos


Para minhas meninas 

A vida é feita de razão e sensibilidade. Os dois devem equilibrar e temperar o viver. Devem conviver sem se sobrepor.

A bonança da vida é saber utilizar esses dois lados para as decisões que a vida nos oferece.

Sem sensibilidade não há percepção. Sem razão não há discernimento. Com muita sensibilidade você se perde no caminho das decisões e da exatidão. Com muita razão você torna o caminhar duro e pesado.

O caminhar não pode ser um fardo. Ele deve ser tranquilo, ainda que as tempestades venham e os ventos soprem fortes, as minhas velas internas precisam estar "ajustadas". Se não as ajusto corro o risco de não suportar as tempestades e culpar os ventos.

Mas como se ajusta as velas? Com cautela e precisão, verificando o que fica bom e o que não fica; esses ajustes fazemos em dias de brisa, ouvindo a voz que vem do coração. Se entendendo, se respeitando. A sua voz interior.

Velas ajustadas, seguimos no caminho, por brisas e ventos sem pensar nas tempestades, mas sabendo que elas existem, ou seja, sem esquecê-las. Apenas preparado para enfrentá- las.

Os tempos do viver encerram ciclos e abrem outros. Mas nos exigem coragem e velas bem ajustadas para suportar as adversidades e o mau tempo. Passada a tempestade, velas estão acolhidas pelo sol, que vem brilhar anunciando trégua.

Ajustem suas velas. Não culpem o vento. Saber enfrentar a tempestade depende do seu ajuste. Não culpe o vento, não culpe o outro. Vc é o condutor do caminho, faça-o como um bom marinheiro. Que sabe aproveitar a brisa, os dias de sol, sem se esquecer que precisa estar preparado para a próxima tempestade. Não é ficar pensando nela. Apenas saber que as adversidades existem. Ter razão e sensibilidade para enfrentá-las é o segredo.


Daysinho (Dayr Fernandes) - 18/6/1940-1974


quarta-feira, 15 de março de 2023

Hoje sonhei contigo


O roteiro foi um desses roteiros de sonho, que a gente só sabe relatar se anotá-los imediatamente depois de acordar, pois fazem sentido apenas na "realidade" dos sonhos. Caso não anotados, esvaem-se na névoa da imprecisão no curso de um mero dia. A sensação que nós deixam, ao acordar, é de que existem duas realidades com conceitos e parâmetros distintos, como água e óleo, como espuma e lama, realidades quase não miscíveis, não coexistentes. A realidade da vida desperto pode coexistir no sonho, mas a realidade do sonho pode não ter lógica, em variada medida, no momento em que estamos despertos. Muitas vezes a realidade do sonho não tem lógica alguma na vida desperta. O fato é que você estava lá no meu sonho, Tobey. Deitadinho aos meus pés, com a língua para fora e aquele olhar que só os cães tem: um olhar que no momento só posso definir, depois de muito matutar, como um olhar de esperança. Os cães têm um olhar de esperança.

Semanas antes, havia lido que sonhar com um cão preto significava haver tido uma interação com o Mahakala Negro, "O Grande Negro". Pensei: --"Imagina então conviver com um cão preto que se colocou aos seus cuidados!"; até escrevi no blog.... Mas o Mahakala Negro pareceu disposto a referendar essa realidade, pois me fez sonhar com você, filhinho Tobey. Hoje sonhei contigo, pela primeira vez Tobey.

Epílogo

O dia terminou para mim com a difícil missão de "salvar" uma mariposa de um ônibus lotado, de janelas vedadas e com o ar-condicionado ligado e enxotada por alguns passageiros. Propus-me uma pré-condição: caso conseguisse resgatá-la, isso teria um "significado" positivo. Ao me aproximar da última parada possível, com o ônibus já quase vazio, localizei-a: ela ainda estava lá, uma temperatura baixa, sem esperança , sem futuro!... Consegui capturá-la com o boné, sob o olhar de um ou outro passageiro curioso. Desci e caminhei umas duas quadras até uma rua pouco movimentada e arborizada. Desdobrei o boné no tronco de uma árvore. Ela subiu no tronco, lá permaneceu por alguns instantes e depois voou, para cumprir o seu destino(?). Entāo, uma sensação de equanimidade me preencheu.

Hoje contigo sonhei, Tobey.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

"O Grande Negro"

O Mahakala Negro. Que curioso, descobri depois de assistir a um vídeo sobre *Vajrakilaya, do mesmo canal (Buddha Weekly). O Mahakala Negro é uma "emanação" do próprio Avalokiteshvara ou Chenrezig (tibetano), o boddhisattva todo compassivo. Também o chamam de "O Grande Negro". Sonhar com cachorro, lobo, corvo ou cavalo negro significa uma interação com ele. Fico imaginando, então, um cachorro negro e um gato negro grudados na pessoa 24h, por esses "acidentes" do destino 😂


*Vajrakilaya (contínua atividade de todos os Budas)



Ative as legendas automáticas dos vídeos. Se você não entende ou não lê inglês, faça uma pesquisa em português com os temas Mahakala Negro e Vajrakilaya.

Oportunamente, publicarei a transcrição desses vídeos em português nesta mesma postagem ou em outra, com a indicação do link. Ou oferecerei um arquivo .srt com legendas em português para o canal Buddha Weekly, se isso for tecnicamente possível.

Caso queira ser avisado(a) quando essa atualização for feita, deixe um comentário.

sexta-feira, 17 de junho de 2022

A difícil missão de conviver com uma mãe narcisista



“Você só está vivo(a) graças a mim”. “Você me deve”. “Você não valoriza nada do que eu faço para você”. “Você não faz nada direito”. “Quando eu tinha a sua idade, já tinha feito mais e melhor”. Mães que usam frases como essas de forma recorrente apresentam uma chance de serem narcisistas ou de terem traços de narcisismo, sabia? E mais: há ainda uma probabilidade de que os indivíduos que ouvem declarações do tipo repitam o padrão com seus próprios filhos. “Uma pessoa narcisista tem traços de egocentrismo, de uma visão hiperinflada a respeito dela própria. Ela se supervaloriza sempre, em qualquer situação”, explica o psicanalista Artur Costa, professor da Associação Brasileira de Psicanálise Clínica (ABPC).

O nome vem da mitologia grega. Narciso era um belo jovem que, ao ver seu reflexo sobre um lago, apaixonou-se tão perdidamente por si mesmo, que caiu nas águas profundas e morreu afogado. “Existem pessoas que têm traços narcisistas em alguns momentos e ambientes, e pessoas que desenvolvem o transtorno psiquiátrico mesmo”, diferencia o especialista.

Quando esse traço ou esse transtorno se aplica a uma mãe, as consequências podem ser graves e, como já mencionamos, até levadas de geração a geração, perpetuando o problema. “Grande parte dos traumas acontece na infância e uma mãe narcisista pode causar traumas extremamente profundos nos filhos, mesmo enquanto eles ainda são muito pequenos. O dano é realmente muito potente e vai se refletir na vida adulta, inevitavelmente”, aponta Costa.

Ser filho ou filha de uma mãe narcisista: como é? “A mãe narcisista admira somente a si mesma. Ela pode até admirar outras pessoas, desde que essas outras pessoas se pareçam com ela”, explica o psiquiatra e psicoterapeuta Wimer Bottura, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Por isso, uma das características da mãe narcisista é querer ou até exigir que os filhos sejam e ajam exatamente como ela. Se não fizerem dessa forma, deixam, automaticamente, de merecer seu amor e sua atenção. “Ela é centralizadora, manipula, abaixa a autoestima dos outros. Às vezes, usa doenças para controlar quem está à sua volta”, exemplifica Bottura.



São mães que olham apenas para si - e querem que todos façam o mesmo, principalmente, o parceiro, a parceira e os filhos. Quando as crianças começam a se desenvolver e a criar interesses diferentes, elas simplesmente não conseguem aceitar. “Já atendi casos em que a sogra, ao passar o fim de semana na casa dos filhos adultos, queria dormir no meio, na cama do casal”, conta Lígia.

Existe também a questão da competição com os filhos, sobretudo na adolescência. Elas querem mostrar que são melhores e que sabem mais. Os sentimentos dos jovens, neste caso, são sempre invalidados.

Por trás desse comportamento... Por mais paradoxal que pareça, a mãe narcisista tem dificuldade com sua autoestima, por isso, é tão dependente da admiração externa. Muitas vezes, a projeção sobre os filhos (desejar que eles sejam perfeitos, arrumá-los impecavelmente e deixá-los o mais parecido possível com ela) é uma tentativa de fazer com que eles recebam elogios e, assim, saciem seu ego.

“O tempo todo e a qualquer custo, ela vai querer ser reconhecida para suprir esse amor-próprio que não consegue produzir sozinha. Então, sempre vai exigir do parceiro, da parceira, dos filhos, o reconhecimento daquilo que faz e, às vezes, de forma mecânica”, aponta o psicanalista Artur. “O narcisista sempre acha que ele trabalha mais, que o sofrimento dele é legítimo e o do outro não. Muitas vezes, é hipersensível, por tudo se magoa, se fere. Quando começa a sangrar, não para nunca, não suporta uma crítica de qualquer tipo que seja”, acrescenta.

De acordo com o especialista, trata-se de alguém que não consegue se doar, apenas receber doações. “Ela tem dificuldade de ofertar seu tempo para os filhos, porque vai querer que eles, na verdade, deem a ela o máximo de tempo e de atenção. Pode ser abusiva, justamente por se considerar superior. Cria suas próprias regras, exige excessivamente respeito e nunca pede desculpa. Admitir culpa é se diminuir e diminuir a visão que ela tem a respeito de si mesma”, pontua.

Grandes prejuízos e muita terapia E quais são os reflexos de tudo isso para essas crianças? “O transtorno narcisista na maternidade tem danos gigantescos, até mesmo para a sociedade, porque gera um dano nos filhos e, consequentemente, nos netos. Filhos atingidos por uma mãe narcisista não tratada vão transferir algumas dessas coisas para os seus futuros filhos também”, diz o psicanalista. Está aí, inclusive, uma das explicações mais comuns para uma pessoa narcisista: pode ser que, de alguma forma, ela esteja repassando o que viveu ou, então, usando tais atitudes como um mecanismo de autoproteção.

Tudo isso, enquanto o filho cresce invalidado, tendo suas opiniões e seus desejos atropelados pela “soberania” da mãe. “A criança vai se sentir sempre insegura em tomar suas próprias decisões, vai ficar totalmente dependente dessa mãe”, aponta a psicóloga Lígia. Tal contexto, de acordo com a psicóloga, prejudica as relações sociais e profissionais. “Uma mãe narcisista pode deixar o filho infantilizado também”, complementa.

Quando as crianças crescem e começam a criar novos vínculos, vem um outro momento desafiador. “Às vezes, a mãe ocupa todos os espaços, todas as necessidades. ‘Para que você vai casar? Se relacionar? Tem tudo aqui em casa. Te dou amor, comida’. Ela se acha onipotente”, exemplifica Lígia.

“A mãe narcisista eventualmente quer escolher com quem os filhos vão se relacionar. Eles se veem envolvidos em uma manipulação tão forte, que não conseguem escapar. Há muito dano à liberdade e ao direito de as pessoas fazerem o que têm vontade de fazer”, diz o psiquiatra Wimer Bottura.

Os traços de narcisismo na maternidade trazem prejuízos também para a própria mãe, que, em vez de celebrar, vai sofrer mais a cada passo do filho; que vai ter ainda mais dificuldades nessa missão exaustiva e que exige tanto das mulheres; que fará escolhas muitas vezes desconfortáveis e desvantajosas a ela mesma, apenas para receber elogios e atenção; que precisará lidar com o afastamento das crianças, conforme elas percebem a situação e ganham independência.

Todo mundo é narcisista - e isso pode ser bom! É importante ressaltar que traços de narcisismo são comuns a todos nós. E, em certo momento, especificamente na maternidade, são até essenciais! “Existe uma fase, falando de mães, em que é necessário ser narcisista. É com essa característica que ela vai ler o desejo do bebê a partir da sua experiência”, aponta a psicóloga Lígia.

Segundo a especialista, como o bebê não fala, a mãe pensa, supõe e age para atendê-lo a partir de seus próprios desejos e perspectivas. “É a chamada fase do espelho, em que ela olha para o outro e se vê”, explica a psicóloga. “É um período fundamental para a constituição psíquica do bebê. Sua mãe vai nomeando e ajudando ele a entender o mundo”, explica.

A psicóloga afirma que esse é um processo necessário e, caso não aconteça, há inúmeros prejuízos – por exemplo, a não criação de vínculo entre os dois. “Só que, em determinado momento, isso tem que começar a se deslocar, para que o filho possa se desenvolver. O que acontece com a mãe narcisista é que, muitas vezes, ela acaba vivenciando, olhando aquele filho como uma continuidade dela. Não permite que ele cresça e não volta para a vida dela”, diz.

Autora: Vanessa Gomes
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Fonte: MSN
Imagem 1: Wikihow
Imagem 2: Wikihow

segunda-feira, 18 de abril de 2022

A importância de não se enraivecer - Akrodha - ausência de raiva


Definição - O que significa Akrodha?

Akrodha é um termo em sânscrito que significa "ausência de raiva". No yoga, akrodha é considerada uma qualidade virtuosa e benéfica, e muitas vezes é referenciada na literatura yogue. Tanto o hinduísmo quanto o budismo vêem akrodha como uma das dez liberdades necessárias para uma pessoa viver uma boa vida.
Diz-se que a raiva interfere com a razão e evita o contentamento, por isso akrodha é necessária para permitir que uma pessoa viva uma vida racional e pacifica. Também é dito ser impossível para uma pessoa viver plenamente seu dharma, ou maneira correta de viver, sem experimentar akrodha.

Yogapedia explica Akrodha:

Akrodha é demonstrada quando há uma razão pela qual alguém pode ficar com raiva, mas não sucumbe à raiva. Não é a ausência de causas de raiva, mas a ausência de uma reação raivosa a essas causas potenciais. Isso significa que a pessoa permanece calma diante de provocações, insultos ou abusos.

O oposto de akrodha - krodha ou "raiva" - é a agitação mental excessiva quando algum desejo ou apego não é realizado. Neste estado, a raiva nubla o julgamento e a paz de espírito. Em contraste, quando o estado de akrodha é alcançado, a mente de uma pessoa é clara e livre, e ela é capaz de encontrar autoconhecimento, verdade e libertação. Ela também não vai machucar os outros através de sua raiva.

Bônus: baixe este artigo em formato de imagem, para espalhar a calma por aí.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Interações interdimensionais na visão dos indígenas mesoamericanos

Os indígenas mesoamericanos explicam que as intervenções de seres da dimensão espiritual em nossa dimensão se dão por um processo mediante o qual esses seres “dobram-se sobre si mesmos”, da mesma forma que no senso comum concebe-se que, para ascender ao mundo espiritual, é necessário que nos “desdobremos”.

O professor Pedro Pitarch, da Universidade Complutense de Madrid, propõe-se a explicar o processo em ¹ palestra.

El pliegue - Pedro Pitarch_rszd_up

Esperamos poder contar com um áudio ou uma transcrição da palestra, para entender o processo (link para evento no facebook).

A questão de "como" os seres do Outro Lado fazem para intervir aqui, como "se dobram", segundo explica o Pedro Pitarch, é relevante — e raramente, senão nunca, abordada.

Os indígenas de várias etnias dão alta importância a essas interações entre as duas dimensões (o nosso mundo solar e o mundo dos espíritos), devido a sua importância na manutenção da harmonia da vida social e da própria vida em si.

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Kachinas Hopi / Puebla

No caso dos Hopi (da América do Norte, do ramo dos Puebla, do México), os espíritos que intervêm em nossa dimensão, os Kachinas, são seres plenos de potência espiritual que disponibilizam ajuda para várias questões vitais. Difícil não fazer uma analogia dessa função com a dos bodhisattvas do budismo Mahayana e do budismo tibetano, e dos "santos" e seres mágicos de diversas religiões e cultos, que cumprem funções semelhantes.

Quanto ao nosso "desdobramento" para acessar o Outro Lado — de cuja ocorrência existem milhares de relatos, ainda que se tratem de experiências pessoais intransferíveis — parece que, na maioria das vezes, se dá espontaneamente, principalmente quando de compreensões profundas (“insights”) e da liberação de tensões psíquicas (em sonhos "hiper-realistas", por exemplo). Outro processo de “desdobramento” tradicionalmente aceito pelo senso comum se dá mediante processos “meditativos” — acompanhados de relaxamento corporal e mental e posturas específicas — geralmente associados a técnicas místicas e religiões orientais.

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¹ CEstA Intempestiva c/ Pedro Pitarch - A dobra [espiritual]: uma [metáfora] indígena mesoamericana de relação - sexta-feira, 05/12/2014, 14h

O Centro de Estudos Ameríndios convida a todos para a CEstA Intempestiva com o Professor Pedro Pitarch, da Universidad Complutense de Madrid.

Seguem abaixo o resumo e as informações do evento:

CEstA Intempestiva com Pedro Pitarch

A dobra [espiritual]: uma figura [metáfora] indígena mesoamericana de relação

"Tratarei de demonstrar como, entre os indígenas mesoamericanos. a relação entre o Outro Lado — o domínio dos espíritos, as divindades e a morte — e o mundo solar que nós humanos habitamos adota a figura da dobra. Os seres do Outro Lado dobram-se sobre si mesmos para aqui ingressar, assim como nós seres humanos nos desdobramos — transitória ou definitivamente — para lá nos dissolvermos. Como em um tecido, esses dois estados formam o anverso e reverso da existência. O conceito de dobra permite articular na pessoa os dois estados opostos do ser (corpo / alma) sem chegar a produzir verdadeiramente uma mescla ou hibridação."

USP - Av. Prof. Luciano Gualberto, 315 - Butantã - Prédio do Meio - Sala 8

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O riso animal

É crescente a especulação sobre as emoções animais, especialmente sobre o riso, essa expressão tão característica dos seres humanos

A risada é contagiosa

Os mecanismos na base da risada poderiam ter tido origem nos antigos primatas e terem sido herdados não somente pelo Homem, mas também pelos símios modernos. As pesquisadoras universitárias Marina Davila Ross e Elke Zimmermann, estudando o comportamento de 25 orangotangos com idades entre 2 e 12 anos, descobriram uma empatia e uma mímica que os capacita a copiarem as expressões, o riso incluído. O processo é de todo involuntário.

riso animal_up

Os cães também riem.

Segundo o professor Jaak Panksepp, o que se acreditava ser um comportamento exclusivamente humano é comum em muitas espécies de animais, e pode representar uma antiga resposta emocional que antecipa os sentimentos humanos e precede a capacidade de se comunicar com palavras. De acordo com Panksepp alguns sons que cães produzem quando brincam, como sopros, são na realidade risos. Mas nem todos os pesquisadores concordam: outros consideram o riso uma característica exclusivamente humana.

De Virgilio Notizie - Risate bestiali

domingo, 5 de outubro de 2014

Do ordenamento do mundo

Para Confúcio, a sociedade “dos antigos” guiava-se pelas mais altas virtudes
Por volta de 2.500 anos atrás, Confúcio, o sábio chinês (551 a.C - 479 a.C), referia-se às “altas virtudes da sociedade dos antigos”. Chega a ser inquietante conjecturar acerca de a quais “antigos” Confúcio estava se referindo, já que ele próprio vivia no que, para nós,´foi a Idade Antiga (!!). O que você opina sobre isso? Seu comentário será bem-vindo.

"Energia" Qi

Aforismos de Confúcio
"Os Antigos, para desenvolver no império as mais altas virtudes, começaram pondo em ordem seus próprios Estados.

Para pôr em ordem seus Estados começaram por se conhecer a si mesmos.

Para cultivar sua própria personalidade, começaram pela reforma de seu coração.

Para reformar seu coração, quiseram ser sinceros em seus pensamentos.

Para ser sinceros em seus pensamentos, desenvolveram o seu saber.

Para desenvolver o seu saber, procuraram compreender a essência das coisas.

Descobertas as coisas, o conhecimento tornou-se completo.

Uma vez adquirida a ciência, seus pensamentos foram sinceros.

Sendo sinceros seus pensamentos, seus corações foram diretos.


Confúio_Dinastia Tang_Wu Daozi_flipSendo diretos seus corações, foram eles próprios homens de bem.

Sendo homens de bem, tiveram famílias bem ordenadas.

Ordenadas suas famílias, foi o Estado governado com ordem.

E como fosse o Estado deles governado com ordem, todos viveram tranqüilos e felizes."


Confúcio (“Kung-Fu-Tze” – Filósofo chinês, viveu entre 551 a.C - 479 a.C)
Citado em: Como Viviam os Antigos – 40 Mil Anos de Arte Moderna. Ivar Lissner. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia, 1959

túmulo de Confúcio Shandong China
Túmulo de Confúcio – Shandong, China


Republicado do blog Humanismo (30/6/2012)

Mais sobre Confúcio e confucionismo (da Wikipedia)
Sobre a "energia" Qi (ordenamento universal)

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Créditos das imagens:
Imagens 2 e 3: Wikipédia
Imagem 1: Starlight86 - PA Blog - Beautiful planet effect in gimp tutorial,
a partir de Designmodo - Free and professional gimp tutorials for designers

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Marvin Gaye

Uma flor arrancada de nós – 2 de outubro – Dia Internacional da Não-Violência

Você nos doou tanto… aos nossos corações, aos nossos espíritos! Há tanto que nunca foi contado dos seus sonhos… Você tinha tanta esperança em um dia mais luminoso! Por que foi você a nossa flor arrancada?!

Stop Look Listen to Your Heart_rusticfella_up

Missing You_Lionel Ritchie_up

Stop Look Listen_ft Marvin Gaye and Diana Ross_up

domingo, 18 de maio de 2014

Lembrança do Buda Sakyamuni no Vesak

lua_cheia
Celebra-se o Vesak. Visakha (também Vesakha, Vesak, Wesak, etc.) é o antigo nome para o mês lunar indiano da primavera correspondente ao nosso abril-maio.

De acordo com a tradição, o nascimento do Buda, a sua iluminação e o seu Parinibbana (passagem) ocorreram todos nas noites de lua cheia dos meses de Visakha.

Esses eventos são comemorados nesse dia no festival do Vesak (Visakha Puja) que é celebrado anualmente em todo o mundo do Budismo — seu apogeu no Brasil em 2014 se dá em 14 de maio.

O budismo não se enquadra na definição tradicional de religião, ou seja, em: " 'religar (-se)' a seres sobrenaturais, ou adorá-los, ou a eles submeter-se".

A etimologia do termo religião tem sido distorcida, pelo menos desde a Idade Média. A tradução do termo latino religio, onis não corresponde necessariamente a "religar (-se)" a algo, conceito amplamente difundido associado a tal palavra. Em breve, publicaremos uma adaptação de artigo em inglês, inédito, que versa sobre esse assunto.

A associação de "budismo" a "religião" é inapropriada, de vez que esse ensinamento não se enquadra no conceito tradicional associado a essa palavra. Isso visto, pode-se apreciar o legado do buda sob o correto ponto de vista, ou seja, o das quatro nobres verdades e o caminho óctuplo sugerido como forma de lidar com essas verdades — ler artigo relacionado.


3 estágios do Buda_up

Vesak, como vimos, é o dia de nascimento, iluminação e passagem (Parinibbana) do Buda Sakyamuni, que ocorreram no mesmo dia do ano. Esses eventos são comemorados por todos os budistas em todo o mundo entre o final de abril e o começo de maio.

retrato buda sakyamuni moldura
Em comemoração a esse evento, quero lhes apresentar o único retrato conhecido do Buda Sakyamuni, feito por um seu discípulo com dotes artísticos Alegre

Saiba mais sobre sua história e o alcance do seu ensinamento lendo o artigo O Legado do Buda, aqui mesmo no Empatia é quase Amor.

lamparinas

Feliz Vesak e Paz, Força e Alegria a todos(as) vocês!







domingo, 11 de maio de 2014

Homenagem À Mãe


Mãe-Terra[12]
Mãe-Terra, a Mãe de todas as Mães
não à guerra_up
Todas as mães dizem “Não à guerra, sim à Paz!”

Não mais…
Síria
 
E que os Guias Internos e o Grande Espírito ajudem a curar todas as feridas e prevaleça o espírito de reconciliação…

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Menos é mais

Essa singela canção nos transmite a sensação de sentir a energia circulando. Experimente. É fácil. A letra começa em 1:11. É como dizem: “menos é mais”.

Ai No, Sono (愛の園 – Jardim do Amor)


 
Letra

愛の園 Jardim do Amor Garden of Love
Kibo-ni afure
ikiru yorokobi

Shiawase ni michi te

Ai no rakuen

Subete no kokoro ga
Ai o wakachiau

Shizuka ni mimi katamuke yo

Ai no komori uta

Kimi sasoi yobikakenu

Ai no sono
Existe um jardim
onde todo coração pode

Compartilhar da alegria de dar

É como nenhum outro
Tem amor a lhe cobrir
Não tem preço por existir

Ouça cuidadosamente e você poderá ouví-los cantando a sua canção

Chamando você a adentrar o seu jardim cheio de amor
There is a garden
Where every heart can
Share in the joy of giving
It like no other
Has love to cover
Bearing no price on living
Quietty listen and you might hear them singing their lullaby

Calling for you to join in their love filled garden


Agora, com um coro de crianças,
em gravação original de 1979


Ai No, Sono (愛の園 – Jardim do Amor)




Você pode querer ouvir também o Mantra da Paz, com Tina Turner e coro de crianças:



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Sarvesham Svastir Bhavatu (Mantra da Paz)

Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Upgrade de Deus para Versão 4.0 - Changelog


Eu acredito em Deus... Mas não sei se o Deus em que eu acredito é o mesmo Deus em que acredita o balconista, a professora, o porteiro.

O Deus em que acredito não foi globalizado.

O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém.image
É uma ideia, uma energia, uma eminência.
Não tem rosto, portanto não tem barba.
Não caminha, portanto não carrega um cajado.
Não está cansado, portanto não tem trono.

O Deus que me acompanha não é bíblico.
Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova.

O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade.

O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos.
Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras, e nossa penitência é a reflexão.
Ave Maria, Pai Nosso, isso qualquer um decora sem saber o que está dizendo.

Para o Deus em que acredito só vale o que se está sentindo.

O Deus em que acredito não condena o prazer. Se ele não tem controle sobre enchentes e violência, se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas, se não tem controle sobre a miséria, o câncer e as mágoas, então que Deus seria ele se ainda por cima condenasse o que nos resta: o lúdico, o sensorial, a libido que nasce com toda criança e se desenvolve livre, se assim o permitirem?

O Deus em que acredito não é tão bonzinho: me castiga e me deixa uns tempos sozinha.
Não me abandona, mas me exige mais do que uma visita à igreja, uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros.
A cruz pesa onde tem que pesar: dentro. É onde tudo acontece e tudo se resolve.

Este é o Deus que me acompanha.
Um Deus simples.

Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe-tudo e vê-tudo.

Meu Deus é discreto e otimista. Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso: um abraço numa amiga, uma música na hora certa, um silêncio.
É onipresente, mas não onipotente.

Meu Deus é humilde.
Não posso imaginar um Deus repressor e um Deus que não sorri.
Quem não te sorri não é cúmplice.

“Eu acredito em Deus”, por Martha Medeiros


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Colaboração de Regina Lúcia Moura Fernandes
Imagem do livro O Reino dos Deuses, de Geoffrey Hodson

sábado, 30 de novembro de 2013

O Cubo de Metatron

A forma que abarca todas as formas geométricas platônicas  

Pelo nome "Cubo de Metatron" é conhecida uma figura geométrica no mínimo curiosa. Esta figura contém em a si a projeção bidimensional de todos os corpos platônicos. Estes sólidos são, por sua vez, poliedros regulares convexos, ou seja: figuras geométricas tridimensionais simétricas, cujos ângulos e arestas mantém um valor constante e cujos lados são polígonos regulares iguais. Uma esfera inscrita, tangente a todas as suas faces em seu centro; uma segunda esfera tangente a todas as arestas em seu centro e uma esfera circunscrita, que passe por todos os vértices do poliedro. Existem apenas 5 corpos platônicos: o tetraedro, o hexaedro (ou cubo), o octaedro, o dodecaedro e o icosaedro.




Platão concebia o mundo como sendo constituído por quatro elementos básicos: a Terra, o Fogo, o Ar e a Água, e estabelecia uma associação mística entre estes e os sólidos. Assim, o cubo corresponde à Terra; o tetraedro, associa-se ao Fogo; o octaedro foi associado ao Ar e o icosaedro à Água. O quinto sólido, o dodecaedro, foi considerado por Platão como o símbolo do Universo, relacionando-se ao chamo Éter.
 
O Cubo de Metatron se constrói tomando como base o chamado "Fruto da Vida", ou seja: 13 circunferências tangentes e congruentes, construídas a partir de um hexágono regular. Unindo-se os centros de cada uma destas circunferências com os centros de todas as demais, obtém-se esta interessante figura formada por 78 linhas. Pode-se notar facilmente que a imagem da "Árvore da Vida" da Kabbalah [ou Cabala] está contida neste conjunto de esferas.

Igualmente se vê a "Estrela de David" (as diagonais do hexágono) e a "Estrela de Kepler" (ou "Merkabah", forma estelar do icosaedro, versão tridimensional da "Estrela de David").

                             
 

Nota: impossível não notar que o nome Metatron, embora seja parte da tradição cabalística hebraica, corresponde exatamente à junção de um prefixo e um sufixo provenientes da língua grega clássica: meta (μετά - transcendente, includente, pertencente a um nível acima ou além) e tron (τρον - instrumento de); em tradução literal, poderia significar "instrumento transcendente e / ou includente do além ou do acima", ou "instrumento de transcendência e / ou inclusão do além ou do acima" (?).
 
A Flor da Vida

A "Flor da Vida" é uma figura geométrica composta de círculos múltiplos espaçados uniformemente, em sobreposição, que estão dispostos de modo que formam uma flor, com um padrão de simetria multiplicada por seis, como um hexágono. Em outras palavras, seis círculos com o mesmo diâmetro se interceptam no centro de cada circulo. O Templo de Osíris em Abidos, Egito, tem o exemplar mais antigo até hoje, está talhada em granito e poderia representar o "Olho de Rá", um símbolo de autoridade do faraó. Outros exemplos se podem encontrar na arte fenícia, assíria, hindu, no médio oriente e medieval. O padrão da Flor da Vida pode ser construído com lápis, um compasso e papel mediante a criação de várias séries de círculos interconectados. O padrão da Flor da Vida é a base do Fruto da Vida e, portanto, do Cubo de Metatron.
 
 
 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A Árvore das Vidas – uma introdução

O vocábulo vida em hebraico é um plural, sem singular


O Tempo e a singularidade - Coordenadas espirituais

A árvore de vidas I


"A vida, em sua essência, é unica, mas ao manifestarem-se temporal e espacialmente nascimentos e mortes, mudanças de estado (mineral, vegetal, animal e humana), é percebida de múltiplas formas"


A "Árvore das Vidas""Etz Jaím" — abarca todos os planos nos quais a vida se manifesta. Daí a denominação Árvore das Vidas, já que o vocábulo vida em hebraico é um plural sem singular. A vida é o conjunto de toda a realidade, mesmo transcendento os limites do tempo e espaço.

Quando a Torá se refere à vida, isso inclui os planos físico-sensoriais, emocionais e mentais (manifestação temporal e espacial) integrados aos planos espirituais.

A vida, em sua essência, é única, mas ao manifestar-se temporal e espacialmente: nascimentos e mortes, mudanças de estado (mineral, vegetal, animal e humana), é percebida de múltiplas formas.

O vocábulo lev (do hebraico: coração) é formado pelas letras hebraicas 01_lev cujo valor numérico é 32 ( 02_lamed = 30 e 03_bet = 2). Trinta e duas (32) vezes é mencionado o nome Elokím* no capítulo do Gênesis/Bereshit, indicando-nos os trinta e dois caminhos gerais através dos quais a Vontade Superior estabelece os limites temporais e espaciais de manifestação. O coração / lev é o instrumento / klí ¹ que pode perceber tais limites, ou seja, as Leis Superiores. O capítulo 2:10 do Pirkei Avót nos transmite que um bom coração é o que o Homem deve buscar permanentemente, já que um bom coração é o recipiente de todas as qualidades.

Asefirot Árvore das Vidas também é conhecida como os 32 caminhos da Sabedoria, compostos pelas 22 letras do alfabeto hebraico, mais as 10 sefirót.

As letras são a energia básica, os elementos primordiais com os quais conformamos nossos pensamentos e articulamos a linguagem. As dez sefirót são os envoltórios que cobrem a plenitude da Luz ² que se expande a partir da Essência do Criador (Atzmutó), com o objetivo de que recebamos a Sua Luz. Cada sefirá manifesta um grau geral, um atributo da Luz Infinita. Isso é semelhante à luz do Sol, para a qual nos é impossível olhar sem os óculos apropriados. Ante o esplendor do Sol, a luz de uma vela faz-se imperceptível, mas quando o Sol se oculta e anoitece, a luz da vela torna-se visível. Da mesma maneira, cada sefirá nos revela diferentes graus da Luz Infinita e, grau por grau, sefirá após sefirá, o Homem se aproxima da plenitude da Luz Infinita. Ou seja, sem as sefirót sería-nos impossível receber a plenitude de Sua Luz, já que não teríamos existência nem consciência, senão que seria tudo Infinito, sem possibilidade de tomada de consciência por parte do desejo da Neshamá.

Elokím: um dos 10 nomes gerais mencionados na Torá, relacionado com a sefirá Guevurá / superação, e com todos os processos de limitação e manifestação.


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¹ Klí. O desejo de receber do emanado denomina-se Klí.

² Luz / Or. É a energia que se expande a partir do Ein - Sof, vivificando todos os mundos e estratos da Criação.

É para nós tudo aquilo que é recebido e contido nos olamót / mundos do ponto de vista de iesh mi-iesh / criação a partir do criado, que compreende tudo fora da substância dos kelím / instrumentos de recepção de OR, que são criados a partir da ausência, tzimtzúm.

São os diferentes graus da Realidade Infinita revestidos em nossa alma e denominados, a partir de nossa recepção e apreensão, da seguinte maneira:

OR ELION
: Com o termo Luz Superior / Or Elión designamos a Luz, expandida a partir de Atzmút haBoré / Singularidade do Criador, origem e causa das causas. Ou seja, ELE mesmo, e não suas vestimentas nem nomes, nem denominações, nem manifestações.
E deves saber, ensina-nos o Rab Ashlag, que todos os nomes e adjetivos pertinentes à Sabedoria da Kabalá não são nem têm realidade alguma em Atzmút haBoré, senão que somente na Luz que se expande a partir d’ELE. Em Atzmút não há para nós nenhuma palavra nem articulação sonora, porque essa é a regra geral: Todo estado espiritual que não consigamos alcançar, tampouco o conheceremos por seu nome.

OR EIN – SOF
: É a plenitude da Luz Infinita que preenche toda a Realidade, sem deixar espaço para que surja nenhum desejo nem vontade que a limite.
No estado de Ein – Sof / Infinito, à diferença dos olamót / mundos, o desejo não limita a plenitude da Luz.

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Ensinamento traduzido de halel.org — original (espanhol) —, projeto iniciado pelo Rabino Rav Haim David Zukerwar z"l (Montevidéu, 1956 - Jerusalem, 2009)


Metatron portando O Cubo
Representação antropomórfica de Metatron — artística e idealizada —,
portando a Merkabah, inserida na forma conhecida como 
O Cubo de Metatron

sábado, 21 de setembro de 2013

Pássaro alimenta cão e gato

Esse corvo entende que está alimentando seus colegas de estimação, mas como se eles fossem os seus animais de estimação. E vejam como ele se coloca no papel de 'chefe' da casa.


Os corvos também gostam de se 'divertir'. Por exemplo… 'esquiando' Alegre


Corvo se diverte sozinho, com sua “snowboard”, num telhado — Rússia

Além disso, eles gostam de colecionar objetos. Se gostam de um objeto, levam-no para 'decorar' suas casas. Bem, sentido de propriedade, eles não têm, porque não perguntam se o objeto já tem dono. Cuidado! Alegre


A inteligência dos corvos

Os estudos da inteligência em corvos têm demonstrado que tais animais são dotados de um aparato cognitivo capaz de lhes propiciar diversas ações que podem ser compreendidas como sinais de inteligência. Como exemplo disso, tem-se a descoberta de cientistas da Universidade de Auckland de que os corvos têm a capacidade de usar três ferramentas em sucessão para conseguir chegar até os alimentos. De acordo com uma pesquisa realizada por cientista da Universidade de Washington, em Seattle, os corvos seriam ainda capazes de identificar o rosto de uma pessoa que possa representar perigo, além de alertar os demais sobre a ameaça. (Fonte: Wikipedia)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Amanhecer Galático

Nosso sistema solar tem “dia” e “noite”
O sistema solar realiza o movimento de translação (deslocamento, numa elipse) com relação à Via Láctea, do mesmo modo que a Terra e os demais planetas o fazem em relação ao Sol e o Sol em relação a outras estrelas.

Segundo a astronomia Maia, o resultado desse movimento de translação do sistema solar — que se completa a cada 25.625 anos — é a ocorrência de um “dia” e de uma “noite”, no sistema solar.

animação amanhecer galático
Ao estar mais afastado do centro da Via Láctea, o sistema solar experimenta a sua “noite”. Ao estar mais próximo do centro da galáxia, ele experimenta o seu “dia”, de maneira semelhante ao que ocorre à Terra em relação ao Sol; só que, no caso da Terra, dia e noite ocorrem devido ao movimento de rotação do planeta em torno do seu próprio eixo, ao expor seus lados alternadamente em relação ao Sol.
Ao parecer, o ano Maia correspondente a 2012 marcou a entrada do sistema solar no início e no sentido da sua posição translacional mais próxima do centro da galáxia, ou seja, marcou o começo do seu “dia”, de vez que o sistema passou a receber, a partir do ano convencionado de 2012 para o calendário terrestre, maior “iluminação” proveniente do centro da galáxia.
Amanhecer galático (espanhol)
Não se sabe exatamente o que há no centro da galáxia. No entanto, é possível afirmar que há energia luminosa, pois esse fenômeno é visível e mensurável com o uso de modernos telescópios  e sondas de vários tipos.
Como essa energia luminosa influencia o comportamento do sistema solar, não se sabe ao certo. Há teorias de que existe alta concentração de plasma (matéria em seu quarto estado) no centro da galáxia. Não se sabe ao certo a função do plasma.
Sabe-se que a energia luminosa do Sol atinge a Terra e é fundamental ao surgimento e à manutenção da vida. É possível que a energia proveniente do centro da galáxia exerça uma função semelhante, ou reguladora, sobre os sistemas solares. Como nosso planeta e, portanto, nós mesmos, seres humanos, fazemos parte desse todo, estamos incluídos no sistema, obviamente devemos sofrer algum tipo de influência, também.
Muitas suposições e hipóteses podem aflorar desse evento — o “nascimento do dia” no sistema solar, ocorrido no ano de 2012, e de duas consequências para o planeta Terra e a espécie humana.

Algo me faz relacionar toda essa recorrência de movimentos elípticos que nos cerca, inclusive o dos corpos celestes, à afirmaçvlcsnap-2010-04-10-05h45m11s112ão da astônoma e matematicista platônica Hipátia de Alexandria, de que “tudo pode ser explicado a partir de elipses”. Ou seja, Hipátia atribuía às elipses atributos perfeccionistas.
Nietzsche_espelhado,Outro estudioso, Friedrich Nietzsche, formulou uma teoria (inacabada) do “eterno retorno” * que, de alguma maneira, também pode ser abstraída a partir de movimentos elípticos, sem prejuízo de outros.
Contribuições e comentários são bem-vindos.

Lincoln Sobral

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”Com o Eterno Retorno, Nietzsche questiona a ordem das coisas. Indica um mundo não feito de pólos opostos e inconciliáveis, mas de faces complementares de uma mesma—múltipla, mas única—realidade. Logo,
bem e mal, angústia e prazer, são instâncias complementares da realidade - instâncias que se alternam eternamente. Como a realidade não tem objetivo, ou finalidade (pois se tivesse já a teria alcançado), a alternância nunca finda. Ou seja, considerando-se o tempo infinito e as combinações de forças em conflito que formam cada instante finitas, em algum momento futuro tudo se repetirá infinitas vezes. Assim, vemos sempre os mesmos fatos retornarem indefinidamente.” Fonte: Wikipédia

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Para compreender O Humano

www.facebook.com/pnyxbema
Penso que esta seja uma das (poucas) intervenções mais bondosas que eu já tenha lido, ouvido, sentido, desde sempre. Por isso, compartilho com os leitores do Empatia é quase Amor.

A Respeito do Humano

Uma coisa é a compreensão do fenômeno humano em geral e outra coisa muito diferente é o próprio registro da humanidade do outro.


 Estudemos a primeira questão, ou seja, a compreensão do fenômeno humano em geral.


Se dissermos que o que caracteriza o humano é a sociabilidade ou a linguagem, ou a transmissão da experiência, não definimos cabalmente o humano, porque no mundo animal (ainda que desenvolvidas de maneira elementar), encontramos todas essas expressões. Observamos reconhecimentos químicos de organismos da colméia, dos cardumes ou das manadas, e atrações ou repulsões que se dão como conseqüência disso. Existem organizações de hospedeiros, parasitas e simbióticas nas quais reconhecemos formas elementares que logo veremos entremeadas em algumas agrupações humanas... Também encontramos uma espécie de “moral” animal e resultados sociais punitivos para os transgressores. Ainda quando vistas de fora, essas condutas podem ser interpretadas como instintos de preservação da espécie ou como implicação de reflexos condicionados e incondicionados. O rudimento técnico também não é estranho ao mundo animal, nem os sentimentos de afeto, ódio, pena e solidariedade entre membros de um grupo, ou entre espécies.

Bem, então, o que define o humano enquanto tal? O que o define é a reflexão do histórico-social como memória pessoal. Todo animal é sempre o primeiro animal, mas cada ser humano é seu meio histórico e social e, além disso, é a contribuição para a transformação ou inércia deste meio.
evolução
O meio para o animal é o meio natural. O meio para o ser humano é o meio histórico e social, é a transformação do mesmo e, certamente, é a adaptação do natural às necessidades imediatas e a longo prazo. Esta resposta diferenciada do ser humano frente aos estímulos imediatos, este sentido e direção de sua obra referente a um futuro calculado (ou imaginado), nos apresenta uma característica nova frente ao sistema do ideário, de comportamento e de vida dos expoentes animais. A ampliação do horizonte temporal da consciência humana permite-lhe atrasos frente aos estímulos e a seu posicionamento em um espaço mental complexo, habilitado para a colocação de deliberações, comparações e resultantes fora do campo perceptivo imediato.

Em outras palavras: no ser humano não existe “natureza humana”, a menos que esta “natureza” seja considerada como uma capacidade diferente da animal, de estar se movendo de tempos em tempos fora do horizonte da percepção. Dito de outro modo: se existe algo de “natural” no ser humano, não é no sentido mineral, vegetal ou animal, mas sim de que o natural nele é a mudança, a história, a transformação. Tal idéia de mudança não se alinha de maneira conveniente com a idéia de “natureza” e por isso preferimos não usar esta última palavra como vem sendo feito e com a qual se tem justificado numerosas deslealdades contra o ser humano. Por exemplo: como os nativos de um lugar eram diferentes dos conquistadores de outro lugar, foram chamados de “naturais” ou aborígines. Como as raças apresentaram algumas diferenças morfológicas ou rudimentares, foram absorvidas por diferentes “naturezas” dentro da espécie humana e assim por diante.

Desse modo, existia uma ordem “natural” e mudar essa ordem era um pecado contra o estabelecido de modo definitivo. Diferentes raças, sexos e posições sociais estavam estabelecidas dentro de uma ordem supostamente natural, que deveria se conservar de modo permanente.

Assim, a ideia de natureza humana serviu a uma ordem de produção natural, mas se fraturou na época da transformação industrial. Até os dias de hoje vemos vestígios da ideologia zoológica da natureza humana na Psicologia, por exemplo, na qual ainda se fala de certas faculdades naturais como a “vontade” e coisas semelhantes. O direito natural, o Estado como parte da natureza humana projetada, etc., não contribuíram com nada mais do que sua cota de inércia histórica e negação da transformação.

Se a co-presença da consciência humana trabalha graças a sua enorme ampliação temporal e se a intencionalidade dessa consciência permite projetar um sentido, daniel_zimmermann_self liberation_upo característico do ser humano é ser e fazer o sentido do mundo. Como se diz em Humanizar a Terra: “Nomeador de mil nomes, fazedor de sentido, transformador do mundo... teus pais e os pais de teus pais continuam em ti. Não és um bólido que cai e sim uma brilhante seta que voa aos céus. És o sentido do mundo e quando aclaras teu sentido, iluminas a Terra. Te direi qual é o sentido de tua vida aqui: Humanizar a Terra. O que é humanizar a Terra? É superar a dor e o sofrimento, é aprender sem limite, é amar a realidade que constróis...”

Bem, estamos muito longe da idéia de natureza humana. Estamos no lado oposto. Quer dizer, se o natural asfixiou o humano, à mercê de uma ordem imposta com a idéia de permanência, agora estamos dizendo o contrário: que o natural deve ser humanizado e que esta humanização do mundo faz do homem um criador de sentido, de direção, de transformação. Se esse sentido é libertador das condições supostamente naturais de dor e sofrimento, o verdadeiramente humano é o que vai além do natural: é teu projeto, teu futuro, teu filho, tua brisa, teu amanhecer, tua tempestade, tua ira e tua carícia. É teu temor e teu estremecimento por um futuro, por um novo ser humano livre de dor e sofrimento.


 Estudemos a segunda questão, isto é, o próprio registro da humanidade nos outros.


Enquanto registrarmos como natural a presença do outro, ele não passará de uma presença objetiva,Indígena da Nação Xerente_Brasil_PO ou particularmente animal. Enquanto estivermos anestesiados para perceber o horizonte temporal do outro, o outro não terá nenhum sentido além do para-mim. A natureza do outro será um para-mim. Mas ao construir o outro como um para-mim, me constituo e me alieno em meu próprio para-si. Quero dizer: “Eu sou para-mim” e com isso fecho meu horizonte de transformação. Quem coisifica, coisifica a si mesmo e com isso fecha seu horizonte.

Enquanto não se experimente ao outro fora do para-mim, minha atividade vital não humanizará o mundo. O outro deveria ser para o meu registro interno, uma cálida sensação de futuro aberto que nem sequer termina no sem-sentido coisificador da morte.

Sentir o humano em outro é sentir a vida do outro como um belo arco-íris multicor, que cada vez se distancia na medida em que quero deter, confundir, arrebatar sua expressão. Você se afasta e eu me reconforto se é que contribuí para romper tuas correntes, superar tua dor e sofrimento. E se vens comigo é porque te constituis em um ato livre como ser humano, não simplesmente porque nasceste “humano”.Silo (Mario Rodríguez Cobos), pensador e filósofo argentino Eu sinto em ti a liberdade e a possibilidade de constituir-te em ser humano. E meus atos têm em você o branco de liberdade. Então, nem tua morte pode deter as ações que puseste em marcha, porque és essencialmente tempo e liberdade. Amo, portanto, no ser humano, a sua humanização crescente. E nestes momentos de crise, de coisificação, nesses momentos de desumanização, amo sua possibilidade de reabilitação futura.
Silo (Mario Rodríguez Cobos)A cinta de Möebius representa o infinito

A RESPEITO DO HUMANO.  Palestra para um grupo de estudos. Silo
Tortuguitas. Buenos Aires, Argentina.
1º de Maio de 1983


Baixar, compartilhar (em formato .pdf):
· A Respeito do Humano
· As Condições do Diálogo
· A Mensagem de Silo

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