Se nos dispusermos a entender que todos nós, Seres Humanos, estamos conectados indissociavelmente uns aos outros, assim como as células de um organismo, fazemos crescer em nós o registro da Humanidade dos outros, o que resulta em quere-lhes cada vez mais O Bem, assim como o desejamos (e reivindicamos) para nós mesmos. A consciência humana projeta mais do que percebe, e cria Realidades. Criemos, pois, a Realidade da Empatia...
segunda-feira, 28 de julho de 2025
O Parque dos Cervos de Sarnath é onde você está
Melhor ajustar as velas do que culpar os ventos
quarta-feira, 15 de março de 2023
Hoje sonhei contigo
O roteiro foi um desses roteiros de sonho, que a gente só sabe relatar se anotá-los imediatamente depois de acordar, pois fazem sentido apenas na "realidade" dos sonhos. Caso não anotados, esvaem-se na névoa da imprecisão no curso de um mero dia. A sensação que nós deixam, ao acordar, é de que existem duas realidades com conceitos e parâmetros distintos, como água e óleo, como espuma e lama, realidades quase não miscíveis, não coexistentes. A realidade da vida desperto pode coexistir no sonho, mas a realidade do sonho pode não ter lógica, em variada medida, no momento em que estamos despertos. Muitas vezes a realidade do sonho não tem lógica alguma na vida desperta. O fato é que você estava lá no meu sonho, Tobey. Deitadinho aos meus pés, com a língua para fora e aquele olhar que só os cães tem: um olhar que no momento só posso definir, depois de muito matutar, como um olhar de esperança. Os cães têm um olhar de esperança.
Semanas antes, havia lido que sonhar com um cão preto significava haver tido uma interação com o Mahakala Negro, "O Grande Negro". Pensei: --"Imagina então conviver com um cão preto que se colocou aos seus cuidados!"; até escrevi no blog.... Mas o Mahakala Negro pareceu disposto a referendar essa realidade, pois me fez sonhar com você, filhinho Tobey. Hoje sonhei contigo, pela primeira vez Tobey.
Epílogo
O dia terminou para mim com a difícil missão de "salvar" uma mariposa de um ônibus lotado, de janelas vedadas e com o ar-condicionado ligado e enxotada por alguns passageiros. Propus-me uma pré-condição: caso conseguisse resgatá-la, isso teria um "significado" positivo. Ao me aproximar da última parada possível, com o ônibus já quase vazio, localizei-a: ela ainda estava lá, uma temperatura baixa, sem esperança , sem futuro!... Consegui capturá-la com o boné, sob o olhar de um ou outro passageiro curioso. Desci e caminhei umas duas quadras até uma rua pouco movimentada e arborizada. Desdobrei o boné no tronco de uma árvore. Ela subiu no tronco, lá permaneceu por alguns instantes e depois voou, para cumprir o seu destino(?). Entāo, uma sensação de equanimidade me preencheu.
Hoje contigo sonhei, Tobey.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2023
"O Grande Negro"
*Vajrakilaya (contínua atividade de todos os Budas) Ative as legendas automáticas dos vídeos. Se você não entende ou não lê inglês, faça uma pesquisa em português com os temas Mahakala Negro e Vajrakilaya.
Oportunamente, publicarei a transcrição desses vídeos em português nesta mesma postagem ou em outra, com a indicação do link. Ou oferecerei um arquivo .srt com legendas em português para o canal Buddha Weekly, se isso for tecnicamente possível.
Caso queira ser avisado(a) quando essa atualização for feita, deixe um comentário.
sexta-feira, 17 de junho de 2022
A difícil missão de conviver com uma mãe narcisista
“Você só está vivo(a) graças a mim”. “Você me deve”. “Você não valoriza nada do que eu faço para você”. “Você não faz nada direito”. “Quando eu tinha a sua idade, já tinha feito mais e melhor”. Mães que usam frases como essas de forma recorrente apresentam uma chance de serem narcisistas ou de terem traços de narcisismo, sabia? E mais: há ainda uma probabilidade de que os indivíduos que ouvem declarações do tipo repitam o padrão com seus próprios filhos. “Uma pessoa narcisista tem traços de egocentrismo, de uma visão hiperinflada a respeito dela própria. Ela se supervaloriza sempre, em qualquer situação”, explica o psicanalista Artur Costa, professor da Associação Brasileira de Psicanálise Clínica (ABPC).
O nome vem da mitologia grega. Narciso era um belo jovem que, ao ver seu reflexo sobre um lago, apaixonou-se tão perdidamente por si mesmo, que caiu nas águas profundas e morreu afogado. “Existem pessoas que têm traços narcisistas em alguns momentos e ambientes, e pessoas que desenvolvem o transtorno psiquiátrico mesmo”, diferencia o especialista.
Quando esse traço ou esse transtorno se aplica a uma mãe, as consequências podem ser graves e, como já mencionamos, até levadas de geração a geração, perpetuando o problema. “Grande parte dos traumas acontece na infância e uma mãe narcisista pode causar traumas extremamente profundos nos filhos, mesmo enquanto eles ainda são muito pequenos. O dano é realmente muito potente e vai se refletir na vida adulta, inevitavelmente”, aponta Costa.
Ser filho ou filha de uma mãe narcisista: como é? “A mãe narcisista admira somente a si mesma. Ela pode até admirar outras pessoas, desde que essas outras pessoas se pareçam com ela”, explica o psiquiatra e psicoterapeuta Wimer Bottura, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Por isso, uma das características da mãe narcisista é querer ou até exigir que os filhos sejam e ajam exatamente como ela. Se não fizerem dessa forma, deixam, automaticamente, de merecer seu amor e sua atenção. “Ela é centralizadora, manipula, abaixa a autoestima dos outros. Às vezes, usa doenças para controlar quem está à sua volta”, exemplifica Bottura.
São mães que olham apenas para si - e querem que todos façam o mesmo, principalmente, o parceiro, a parceira e os filhos. Quando as crianças começam a se desenvolver e a criar interesses diferentes, elas simplesmente não conseguem aceitar. “Já atendi casos em que a sogra, ao passar o fim de semana na casa dos filhos adultos, queria dormir no meio, na cama do casal”, conta Lígia.
Existe também a questão da competição com os filhos, sobretudo na adolescência. Elas querem mostrar que são melhores e que sabem mais. Os sentimentos dos jovens, neste caso, são sempre invalidados.
Por trás desse comportamento... Por mais paradoxal que pareça, a mãe narcisista tem dificuldade com sua autoestima, por isso, é tão dependente da admiração externa. Muitas vezes, a projeção sobre os filhos (desejar que eles sejam perfeitos, arrumá-los impecavelmente e deixá-los o mais parecido possível com ela) é uma tentativa de fazer com que eles recebam elogios e, assim, saciem seu ego.
“O tempo todo e a qualquer custo, ela vai querer ser reconhecida para suprir esse amor-próprio que não consegue produzir sozinha. Então, sempre vai exigir do parceiro, da parceira, dos filhos, o reconhecimento daquilo que faz e, às vezes, de forma mecânica”, aponta o psicanalista Artur. “O narcisista sempre acha que ele trabalha mais, que o sofrimento dele é legítimo e o do outro não. Muitas vezes, é hipersensível, por tudo se magoa, se fere. Quando começa a sangrar, não para nunca, não suporta uma crítica de qualquer tipo que seja”, acrescenta.
De acordo com o especialista, trata-se de alguém que não consegue se doar, apenas receber doações. “Ela tem dificuldade de ofertar seu tempo para os filhos, porque vai querer que eles, na verdade, deem a ela o máximo de tempo e de atenção. Pode ser abusiva, justamente por se considerar superior. Cria suas próprias regras, exige excessivamente respeito e nunca pede desculpa. Admitir culpa é se diminuir e diminuir a visão que ela tem a respeito de si mesma”, pontua.
Grandes prejuízos e muita terapia E quais são os reflexos de tudo isso para essas crianças? “O transtorno narcisista na maternidade tem danos gigantescos, até mesmo para a sociedade, porque gera um dano nos filhos e, consequentemente, nos netos. Filhos atingidos por uma mãe narcisista não tratada vão transferir algumas dessas coisas para os seus futuros filhos também”, diz o psicanalista. Está aí, inclusive, uma das explicações mais comuns para uma pessoa narcisista: pode ser que, de alguma forma, ela esteja repassando o que viveu ou, então, usando tais atitudes como um mecanismo de autoproteção.
Tudo isso, enquanto o filho cresce invalidado, tendo suas opiniões e seus desejos atropelados pela “soberania” da mãe. “A criança vai se sentir sempre insegura em tomar suas próprias decisões, vai ficar totalmente dependente dessa mãe”, aponta a psicóloga Lígia. Tal contexto, de acordo com a psicóloga, prejudica as relações sociais e profissionais. “Uma mãe narcisista pode deixar o filho infantilizado também”, complementa.
Quando as crianças crescem e começam a criar novos vínculos, vem um outro momento desafiador. “Às vezes, a mãe ocupa todos os espaços, todas as necessidades. ‘Para que você vai casar? Se relacionar? Tem tudo aqui em casa. Te dou amor, comida’. Ela se acha onipotente”, exemplifica Lígia.
“A mãe narcisista eventualmente quer escolher com quem os filhos vão se relacionar. Eles se veem envolvidos em uma manipulação tão forte, que não conseguem escapar. Há muito dano à liberdade e ao direito de as pessoas fazerem o que têm vontade de fazer”, diz o psiquiatra Wimer Bottura.
Os traços de narcisismo na maternidade trazem prejuízos também para a própria mãe, que, em vez de celebrar, vai sofrer mais a cada passo do filho; que vai ter ainda mais dificuldades nessa missão exaustiva e que exige tanto das mulheres; que fará escolhas muitas vezes desconfortáveis e desvantajosas a ela mesma, apenas para receber elogios e atenção; que precisará lidar com o afastamento das crianças, conforme elas percebem a situação e ganham independência.
Todo mundo é narcisista - e isso pode ser bom! É importante ressaltar que traços de narcisismo são comuns a todos nós. E, em certo momento, especificamente na maternidade, são até essenciais! “Existe uma fase, falando de mães, em que é necessário ser narcisista. É com essa característica que ela vai ler o desejo do bebê a partir da sua experiência”, aponta a psicóloga Lígia.
Segundo a especialista, como o bebê não fala, a mãe pensa, supõe e age para atendê-lo a partir de seus próprios desejos e perspectivas. “É a chamada fase do espelho, em que ela olha para o outro e se vê”, explica a psicóloga. “É um período fundamental para a constituição psíquica do bebê. Sua mãe vai nomeando e ajudando ele a entender o mundo”, explica.
A psicóloga afirma que esse é um processo necessário e, caso não aconteça, há inúmeros prejuízos – por exemplo, a não criação de vínculo entre os dois. “Só que, em determinado momento, isso tem que começar a se deslocar, para que o filho possa se desenvolver. O que acontece com a mãe narcisista é que, muitas vezes, ela acaba vivenciando, olhando aquele filho como uma continuidade dela. Não permite que ele cresça e não volta para a vida dela”, diz.
Autora: Vanessa Gomes
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Fonte: MSN
Imagem 1: Wikihow
Imagem 2: Wikihow
segunda-feira, 18 de abril de 2022
A importância de não se enraivecer - Akrodha - ausência de raiva
Bônus: baixe este artigo em formato de imagem, para espalhar a calma por aí.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Interações interdimensionais na visão dos indígenas mesoamericanos
Os indígenas mesoamericanos explicam que as intervenções de seres da dimensão espiritual em nossa dimensão se dão por um processo mediante o qual esses seres “dobram-se sobre si mesmos”, da mesma forma que no senso comum concebe-se que, para ascender ao mundo espiritual, é necessário que nos “desdobremos”.
O professor Pedro Pitarch, da Universidade Complutense de Madrid, propõe-se a explicar o processo em ¹ palestra.
Esperamos poder contar com um áudio ou uma transcrição da palestra, para entender o processo (link para evento no facebook).
A questão de "como" os seres do Outro Lado fazem para intervir aqui, como "se dobram", segundo explica o Pedro Pitarch, é relevante — e raramente, senão nunca, abordada.
Os indígenas de várias etnias dão alta importância a essas interações entre as duas dimensões (o nosso mundo solar e o mundo dos espíritos), devido a sua importância na manutenção da harmonia da vida social e da própria vida em si.
No caso dos Hopi (da América do Norte, do ramo dos Puebla, do México), os espíritos que intervêm em nossa dimensão, os Kachinas, são seres plenos de potência espiritual que disponibilizam ajuda para várias questões vitais. Difícil não fazer uma analogia dessa função com a dos bodhisattvas do budismo Mahayana e do budismo tibetano, e dos "santos" e seres mágicos de diversas religiões e cultos, que cumprem funções semelhantes.
Quanto ao nosso "desdobramento" para acessar o Outro Lado — de cuja ocorrência existem milhares de relatos, ainda que se tratem de experiências pessoais intransferíveis — parece que, na maioria das vezes, se dá espontaneamente, principalmente quando de compreensões profundas (“insights”) e da liberação de tensões psíquicas (em sonhos "hiper-realistas", por exemplo). Outro processo de “desdobramento” tradicionalmente aceito pelo senso comum se dá mediante processos “meditativos” — acompanhados de relaxamento corporal e mental e posturas específicas — geralmente associados a técnicas místicas e religiões orientais.
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¹ CEstA Intempestiva c/ Pedro Pitarch - A dobra [espiritual]: uma [metáfora] indígena mesoamericana de relação - sexta-feira, 05/12/2014, 14h
O Centro de Estudos Ameríndios convida a todos para a CEstA Intempestiva com o Professor Pedro Pitarch, da Universidad Complutense de Madrid.
Seguem abaixo o resumo e as informações do evento:
CEstA Intempestiva com Pedro Pitarch
A dobra [espiritual]: uma figura [metáfora] indígena mesoamericana de relação
"Tratarei de demonstrar como, entre os indígenas mesoamericanos. a relação entre o Outro Lado — o domínio dos espíritos, as divindades e a morte — e o mundo solar que nós humanos habitamos adota a figura da dobra. Os seres do Outro Lado dobram-se sobre si mesmos para aqui ingressar, assim como nós seres humanos nos desdobramos — transitória ou definitivamente — para lá nos dissolvermos. Como em um tecido, esses dois estados formam o anverso e reverso da existência. O conceito de dobra permite articular na pessoa os dois estados opostos do ser (corpo / alma) sem chegar a produzir verdadeiramente uma mescla ou hibridação."
USP - Av. Prof. Luciano Gualberto, 315 - Butantã - Prédio do Meio - Sala 8
terça-feira, 4 de novembro de 2014
O riso animal
É crescente a especulação sobre as emoções animais, especialmente sobre o riso, essa expressão tão característica dos seres humanos
A risada é contagiosa
Os mecanismos na base da risada poderiam ter tido origem nos antigos primatas e terem sido herdados não somente pelo Homem, mas também pelos símios modernos. As pesquisadoras universitárias Marina Davila Ross e Elke Zimmermann, estudando o comportamento de 25 orangotangos com idades entre 2 e 12 anos, descobriram uma empatia e uma mímica que os capacita a copiarem as expressões, o riso incluído. O processo é de todo involuntário.
Os cães também riem.
Segundo o professor Jaak Panksepp, o que se acreditava ser um comportamento exclusivamente humano é comum em muitas espécies de animais, e pode representar uma antiga resposta emocional que antecipa os sentimentos humanos e precede a capacidade de se comunicar com palavras. De acordo com Panksepp alguns sons que cães produzem quando brincam, como sopros, são na realidade risos. Mas nem todos os pesquisadores concordam: outros consideram o riso uma característica exclusivamente humana.
De Virgilio Notizie - Risate bestiali
domingo, 5 de outubro de 2014
Do ordenamento do mundo
Por volta de 2.500 anos atrás, Confúcio, o sábio chinês (551 a.C - 479 a.C), referia-se às “altas virtudes da sociedade dos antigos”. Chega a ser inquietante conjecturar acerca de a quais “antigos” Confúcio estava se referindo, já que ele próprio vivia no que, para nós,´foi a Idade Antiga (!!). O que você opina sobre isso? Seu comentário será bem-vindo.
Aforismos de Confúcio
"Os Antigos, para desenvolver no império as mais altas virtudes, começaram pondo em ordem seus próprios Estados.
Para pôr em ordem seus Estados começaram por se conhecer a si mesmos.
Para cultivar sua própria personalidade, começaram pela reforma de seu coração.
Para reformar seu coração, quiseram ser sinceros em seus pensamentos.
Para ser sinceros em seus pensamentos, desenvolveram o seu saber.
Para desenvolver o seu saber, procuraram compreender a essência das coisas.
Descobertas as coisas, o conhecimento tornou-se completo.
Uma vez adquirida a ciência, seus pensamentos foram sinceros.
Sendo sinceros seus pensamentos, seus corações foram diretos.
Sendo homens de bem, tiveram famílias bem ordenadas.
Ordenadas suas famílias, foi o Estado governado com ordem.
E como fosse o Estado deles governado com ordem, todos viveram tranqüilos e felizes."
Confúcio (“Kung-Fu-Tze” – Filósofo chinês, viveu entre 551 a.C - 479 a.C)
Republicado do blog Humanismo (30/6/2012)
Mais sobre Confúcio e confucionismo (da Wikipedia)
Sobre a "energia" Qi (ordenamento universal)
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Créditos das imagens:
Imagens 2 e 3: Wikipédia
Imagem 1: Starlight86 - PA Blog - Beautiful planet effect in gimp tutorial,
a partir de Designmodo - Free and professional gimp tutorials for designers
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Marvin Gaye
Uma flor arrancada de nós – 2 de outubro – Dia Internacional da Não-Violência
Você nos doou tanto… aos nossos corações, aos nossos espíritos! Há tanto que nunca foi contado dos seus sonhos… Você tinha tanta esperança em um dia mais luminoso! Por que foi você a nossa flor arrancada?!
domingo, 18 de maio de 2014
Lembrança do Buda Sakyamuni no Vesak
Celebra-se o Vesak. Visakha (também Vesakha, Vesak, Wesak, etc.) é o antigo nome para o mês lunar indiano da primavera correspondente ao nosso abril-maio.
De acordo com a tradição, o nascimento do Buda, a sua iluminação e o seu Parinibbana (passagem) ocorreram todos nas noites de lua cheia dos meses de Visakha.
Esses eventos são comemorados nesse dia no festival do Vesak (Visakha Puja) que é celebrado anualmente em todo o mundo do Budismo — seu apogeu no Brasil em 2014 se dá em 14 de maio.
O budismo não se enquadra na definição tradicional de religião, ou seja, em: " 'religar (-se)' a seres sobrenaturais, ou adorá-los, ou a eles submeter-se".
A etimologia do termo religião tem sido distorcida, pelo menos desde a Idade Média. A tradução do termo latino religio, onis não corresponde necessariamente a "religar (-se)" a algo, conceito amplamente difundido associado a tal palavra. Em breve, publicaremos uma adaptação de artigo em inglês, inédito, que versa sobre esse assunto.
A associação de "budismo" a "religião" é inapropriada, de vez que esse ensinamento não se enquadra no conceito tradicional associado a essa palavra. Isso visto, pode-se apreciar o legado do buda sob o correto ponto de vista, ou seja, o das quatro nobres verdades e o caminho óctuplo sugerido como forma de lidar com essas verdades — ler artigo relacionado.
Vesak, como vimos, é o dia de nascimento, iluminação e passagem (Parinibbana) do Buda Sakyamuni, que ocorreram no mesmo dia do ano. Esses eventos são comemorados por todos os budistas em todo o mundo entre o final de abril e o começo de maio.
Em comemoração a esse evento, quero lhes apresentar o único retrato conhecido do Buda Sakyamuni, feito por um seu discípulo com dotes artísticos
Saiba mais sobre sua história e o alcance do seu ensinamento lendo o artigo O Legado do Buda, aqui mesmo no Empatia é quase Amor.
Feliz Vesak e Paz, Força e Alegria a todos(as) vocês!
domingo, 11 de maio de 2014
Homenagem À Mãe
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Menos é mais
Ai No, Sono (愛の園 – Jardim do Amor)
Letra
| 愛の園 | Jardim do Amor | Garden of Love |
| Kibo-ni afure ikiru yorokobi Shiawase ni michi te Ai no rakuen Subete no kokoro ga Ai o wakachiau Shizuka ni mimi katamuke yo Ai no komori uta Kimi sasoi yobikakenu Ai no sono | Existe um jardim onde todo coração pode Compartilhar da alegria de dar É como nenhum outro Tem amor a lhe cobrir Não tem preço por existir Ouça cuidadosamente e você poderá ouví-los cantando a sua canção Chamando você a adentrar o seu jardim cheio de amor | There is a garden Where every heart can Share in the joy of giving It like no other Has love to cover Bearing no price on living Quietty listen and you might hear them singing their lullaby Calling for you to join in their love filled garden |
Agora, com um coro de crianças,
em gravação original de 1979
Ai No, Sono (愛の園 – Jardim do Amor)
Você pode querer ouvir também o Mantra da Paz, com Tina Turner e coro de crianças:
Sarvesham Svastir Bhavatu (Mantra da Paz)
Feliz Ano Novo!
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Upgrade de Deus para Versão 4.0 - Changelog
Eu acredito em Deus... Mas não sei se o Deus em que eu acredito é o mesmo Deus em que acredita o balconista, a professora, o porteiro.
O Deus em que acredito não foi globalizado.
O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém.
É uma ideia, uma energia, uma eminência.
Não tem rosto, portanto não tem barba.
Não caminha, portanto não carrega um cajado.
Não está cansado, portanto não tem trono.
O Deus que me acompanha não é bíblico.
Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova.
O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade.
O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos.
Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras, e nossa penitência é a reflexão.
Ave Maria, Pai Nosso, isso qualquer um decora sem saber o que está dizendo.
Para o Deus em que acredito só vale o que se está sentindo.
O Deus em que acredito não condena o prazer. Se ele não tem controle sobre enchentes e violência, se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas, se não tem controle sobre a miséria, o câncer e as mágoas, então que Deus seria ele se ainda por cima condenasse o que nos resta: o lúdico, o sensorial, a libido que nasce com toda criança e se desenvolve livre, se assim o permitirem?
O Deus em que acredito não é tão bonzinho: me castiga e me deixa uns tempos sozinha.
Não me abandona, mas me exige mais do que uma visita à igreja, uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros.
A cruz pesa onde tem que pesar: dentro. É onde tudo acontece e tudo se resolve.
Este é o Deus que me acompanha.
Um Deus simples.
Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe-tudo e vê-tudo.
Meu Deus é discreto e otimista. Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso: um abraço numa amiga, uma música na hora certa, um silêncio.
É onipresente, mas não onipotente.
Meu Deus é humilde.
Não posso imaginar um Deus repressor e um Deus que não sorri.
Quem não te sorri não é cúmplice.
“Eu acredito em Deus”, por Martha Medeiros
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Colaboração de Regina Lúcia Moura Fernandes
Imagem do livro O Reino dos Deuses, de Geoffrey Hodson
sábado, 30 de novembro de 2013
O Cubo de Metatron
Pelo nome "Cubo de Metatron" é conhecida uma figura geométrica no mínimo curiosa. Esta figura contém em a si a projeção bidimensional de todos os corpos platônicos. Estes sólidos são, por sua vez, poliedros regulares convexos, ou seja: figuras geométricas tridimensionais simétricas, cujos ângulos e arestas mantém um valor constante e cujos lados são polígonos regulares iguais. Uma esfera inscrita, tangente a todas as suas faces em seu centro; uma segunda esfera tangente a todas as arestas em seu centro e uma esfera circunscrita, que passe por todos os vértices do poliedro. Existem apenas 5 corpos platônicos: o tetraedro, o hexaedro (ou cubo), o octaedro, o dodecaedro e o icosaedro.
Platão concebia o mundo como sendo constituído por quatro elementos básicos: a Terra, o Fogo, o Ar e a Água, e estabelecia uma associação mística entre estes e os sólidos. Assim, o cubo corresponde à Terra; o tetraedro, associa-se ao Fogo; o octaedro foi associado ao Ar e o icosaedro à Água. O quinto sólido, o dodecaedro, foi considerado por Platão como o símbolo do Universo, relacionando-se ao chamo Éter.
O Cubo de Metatron se constrói tomando como base o chamado "Fruto da Vida", ou seja: 13 circunferências tangentes e congruentes, construídas a partir de um hexágono regular. Unindo-se os centros de cada uma destas circunferências com os centros de todas as demais, obtém-se esta interessante figura formada por 78 linhas. Pode-se notar facilmente que a imagem da "Árvore da Vida" da Kabbalah [ou Cabala] está contida neste conjunto de esferas.


Nota: impossível não notar que o nome Metatron, embora seja parte da tradição cabalística hebraica, corresponde exatamente à junção de um prefixo e um sufixo provenientes da língua grega clássica: meta (μετά - transcendente, includente, pertencente a um nível acima ou além) e tron (τρον - instrumento de); em tradução literal, poderia significar "instrumento transcendente e / ou includente do além ou do acima", ou "instrumento de transcendência e / ou inclusão do além ou do acima" (?).
A "Flor da Vida" é uma figura geométrica composta de círculos múltiplos espaçados uniformemente, em sobreposição, que estão dispostos de modo que formam uma flor, com um padrão de simetria multiplicada por seis, como um hexágono. Em outras palavras, seis círculos com o mesmo diâmetro se interceptam no centro de cada circulo. O Templo de Osíris em Abidos, Egito, tem o exemplar mais antigo até hoje, está talhada em granito e poderia representar o "Olho de Rá", um símbolo de autoridade do faraó. Outros exemplos se podem encontrar na arte fenícia, assíria, hindu, no médio oriente e medieval. O padrão da Flor da Vida pode ser construído com lápis, um compasso e papel mediante a criação de várias séries de círculos interconectados. O padrão da Flor da Vida é a base do Fruto da Vida e, portanto, do Cubo de Metatron.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
A Árvore das Vidas – uma introdução
O Tempo e a singularidade - Coordenadas espirituais
A árvore de vidas I
"A vida, em sua essência, é unica, mas ao manifestarem-se temporal e espacialmente nascimentos e mortes, mudanças de estado (mineral, vegetal, animal e humana), é percebida de múltiplas formas"
A "Árvore das Vidas" — "Etz Jaím" — abarca todos os planos nos quais a vida se manifesta. Daí a denominação Árvore das Vidas, já que o vocábulo vida em hebraico é um plural sem singular. A vida é o conjunto de toda a realidade, mesmo transcendento os limites do tempo e espaço.
Quando a Torá se refere à vida, isso inclui os planos físico-sensoriais, emocionais e mentais (manifestação temporal e espacial) integrados aos planos espirituais.
A vida, em sua essência, é única, mas ao manifestar-se temporal e espacialmente: nascimentos e mortes, mudanças de estado (mineral, vegetal, animal e humana), é percebida de múltiplas formas.
O vocábulo lev (do hebraico: coração) é formado pelas letras hebraicas
A
As letras são a energia básica, os elementos primordiais com os quais conformamos nossos pensamentos e articulamos a linguagem. As dez sefirót são os envoltórios que cobrem a plenitude da Luz ² que se expande a partir da Essência do Criador (Atzmutó), com o objetivo de que recebamos a Sua Luz. Cada sefirá manifesta um grau geral, um atributo da Luz Infinita. Isso é semelhante à luz do Sol, para a qual nos é impossível olhar sem os óculos apropriados. Ante o esplendor do Sol, a luz de uma vela faz-se imperceptível, mas quando o Sol se oculta e anoitece, a luz da vela torna-se visível. Da mesma maneira, cada sefirá nos revela diferentes graus da Luz Infinita e, grau por grau, sefirá após sefirá, o Homem se aproxima da plenitude da Luz Infinita. Ou seja, sem as sefirót sería-nos impossível receber a plenitude de Sua Luz, já que não teríamos existência nem consciência, senão que seria tudo Infinito, sem possibilidade de tomada de consciência por parte do desejo da Neshamá.
* Elokím: um dos 10 nomes gerais mencionados na Torá, relacionado com a sefirá Guevurá / superação, e com todos os processos de limitação e manifestação.
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¹ Klí. O desejo de receber do emanado denomina-se Klí.
² Luz / Or. É a energia que se expande a partir do Ein - Sof, vivificando todos os mundos e estratos da Criação.
É para nós tudo aquilo que é recebido e contido nos olamót / mundos do ponto de vista de iesh mi-iesh / criação a partir do criado, que compreende tudo fora da substância dos kelím / instrumentos de recepção de OR, que são criados a partir da ausência, tzimtzúm.
São os diferentes graus da Realidade Infinita revestidos em nossa alma e denominados, a partir de nossa recepção e apreensão, da seguinte maneira:
OR ELION: Com o termo Luz Superior / Or Elión designamos a Luz, expandida a partir de Atzmút haBoré / Singularidade do Criador, origem e causa das causas. Ou seja, ELE mesmo, e não suas vestimentas nem nomes, nem denominações, nem manifestações.
E deves saber, ensina-nos o Rab Ashlag, que todos os nomes e adjetivos pertinentes à Sabedoria da Kabalá não são nem têm realidade alguma em Atzmút haBoré, senão que somente na Luz que se expande a partir d’ELE. Em Atzmút não há para nós nenhuma palavra nem articulação sonora, porque essa é a regra geral: Todo estado espiritual que não consigamos alcançar, tampouco o conheceremos por seu nome.
OR EIN – SOF: É a plenitude da Luz Infinita que preenche toda a Realidade, sem deixar espaço para que surja nenhum desejo nem vontade que a limite.
No estado de Ein – Sof / Infinito, à diferença dos olamót / mundos, o desejo não limita a plenitude da Luz.
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Ensinamento traduzido de halel.org — original (espanhol) —, projeto iniciado pelo Rabino Rav Haim David Zukerwar z"l (Montevidéu, 1956 - Jerusalem, 2009)
| Representação antropomórfica de Metatron — artística e idealizada —, portando a Merkabah, inserida na forma conhecida como O Cubo de Metatron |
sábado, 21 de setembro de 2013
Pássaro alimenta cão e gato
Os corvos também gostam de se 'divertir'. Por exemplo… 'esquiando'
Além disso, eles gostam de colecionar objetos. Se gostam de um objeto, levam-no para 'decorar' suas casas. Bem, sentido de propriedade, eles não têm, porque não perguntam se o objeto já tem dono. Cuidado!
A inteligência dos corvos
Os estudos da inteligência em corvos têm demonstrado que tais animais são dotados de um aparato cognitivo capaz de lhes propiciar diversas ações que podem ser compreendidas como sinais de inteligência. Como exemplo disso, tem-se a descoberta de cientistas da Universidade de Auckland de que os corvos têm a capacidade de usar três ferramentas em sucessão para conseguir chegar até os alimentos. De acordo com uma pesquisa realizada por cientista da Universidade de Washington, em Seattle, os corvos seriam ainda capazes de identificar o rosto de uma pessoa que possa representar perigo, além de alertar os demais sobre a ameaça. (Fonte: Wikipedia)
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
O Amanhecer Galático
Nosso sistema solar tem “dia” e “noite”
O sistema solar realiza o movimento de translação (deslocamento, numa elipse) com relação à Via Láctea, do mesmo modo que a Terra e os demais planetas o fazem em relação ao Sol e o Sol em relação a outras estrelas.
Segundo a astronomia Maia, o resultado desse movimento de translação do sistema solar — que se completa a cada 25.625 anos — é a ocorrência de um “dia” e de uma “noite”, no sistema solar.
Ao estar mais afastado do centro da Via Láctea, o sistema solar experimenta a sua “noite”. Ao estar mais próximo do centro da galáxia, ele experimenta o seu “dia”, de maneira semelhante ao que ocorre à Terra em relação ao Sol; só que, no caso da Terra, dia e noite ocorrem devido ao movimento de rotação do planeta em torno do seu próprio eixo, ao expor seus lados alternadamente em relação ao Sol.Não se sabe exatamente o que há no centro da galáxia. No entanto, é possível afirmar que há energia luminosa, pois esse fenômeno é visível e mensurável com o uso de modernos telescópios e sondas de vários tipos.
Ao parecer, o ano Maia correspondente a 2012 marcou a entrada do sistema solar no início e no sentido da sua posição translacional mais próxima do centro da galáxia, ou seja, marcou o começo do seu “dia”, de vez que o sistema passou a receber, a partir do ano convencionado de 2012 para o calendário terrestre, maior “iluminação” proveniente do centro da galáxia.
Como essa energia luminosa influencia o comportamento do sistema solar, não se sabe ao certo. Há teorias de que existe alta concentração de plasma (matéria em seu quarto estado) no centro da galáxia. Não se sabe ao certo a função do plasma.
Sabe-se que a energia luminosa do Sol atinge a Terra e é fundamental ao surgimento e à manutenção da vida. É possível que a energia proveniente do centro da galáxia exerça uma função semelhante, ou reguladora, sobre os sistemas solares. Como nosso planeta e, portanto, nós mesmos, seres humanos, fazemos parte desse todo, estamos incluídos no sistema, obviamente devemos sofrer algum tipo de influência, também.
Muitas suposições e hipóteses podem aflorar desse evento — o “nascimento do dia” no sistema solar, ocorrido no ano de 2012, e de duas consequências para o planeta Terra e a espécie humana.
Algo me faz relacionar toda essa recorrência de movimentos elípticos que nos cerca, inclusive o dos corpos celestes, à afirmação da astônoma e matematicista platônica Hipátia de Alexandria, de que “tudo pode ser explicado a partir de elipses”. Ou seja, Hipátia atribuía às elipses atributos perfeccionistas.
Outro estudioso, Friedrich Nietzsche, formulou uma teoria (inacabada) do “eterno retorno” * que, de alguma maneira, também pode ser abstraída a partir de movimentos elípticos, sem prejuízo de outros.
Contribuições e comentários são bem-vindos.
Lincoln Sobral
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”Com o Eterno Retorno, Nietzsche questiona a ordem das coisas. Indica um mundo não feito de pólos opostos e inconciliáveis, mas de faces complementares de uma mesma—múltipla, mas única—realidade. Logo, bem e mal, angústia e prazer, são instâncias complementares da realidade - instâncias que se alternam eternamente. Como a realidade não tem objetivo, ou finalidade (pois se tivesse já a teria alcançado), a alternância nunca finda. Ou seja, considerando-se o tempo infinito e as combinações de forças em conflito que formam cada instante finitas, em algum momento futuro tudo se repetirá infinitas vezes. Assim, vemos sempre os mesmos fatos retornarem indefinidamente.” Fonte: Wikipédia
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Para compreender O Humano
Penso que esta seja uma das (poucas) intervenções mais bondosas que eu já tenha lido, ouvido, sentido, desde sempre. Por isso, compartilho com os leitores do Empatia é quase Amor.
A Respeito do Humano
Uma coisa é a compreensão do fenômeno humano em geral e outra coisa muito diferente é o próprio registro da humanidade do outro.
Estudemos a primeira questão, ou seja, a compreensão do fenômeno humano em geral.
Se dissermos que o que caracteriza o humano é a sociabilidade ou a linguagem, ou a transmissão da experiência, não definimos cabalmente o humano, porque no mundo animal (ainda que desenvolvidas de maneira elementar), encontramos todas essas expressões. Observamos reconhecimentos químicos de organismos da colméia, dos cardumes ou das manadas, e atrações ou repulsões que se dão como conseqüência disso. Existem organizações de hospedeiros, parasitas e simbióticas nas quais reconhecemos formas elementares que logo veremos entremeadas em algumas agrupações humanas... Também encontramos uma espécie de “moral” animal e resultados sociais punitivos para os transgressores. Ainda quando vistas de fora, essas condutas podem ser interpretadas como instintos de preservação da espécie ou como implicação de reflexos condicionados e incondicionados. O rudimento técnico também não é estranho ao mundo animal, nem os sentimentos de afeto, ódio, pena e solidariedade entre membros de um grupo, ou entre espécies.
Bem, então, o que define o humano enquanto tal? O que o define é a reflexão do histórico-social como memória pessoal. Todo animal é sempre o primeiro animal, mas cada ser humano é seu meio histórico e social e, além disso, é a contribuição para a transformação ou inércia deste meio.
O meio para o animal é o meio natural. O meio para o ser humano é o meio histórico e social, é a transformação do mesmo e, certamente, é a adaptação do natural às necessidades imediatas e a longo prazo. Esta resposta diferenciada do ser humano frente aos estímulos imediatos, este sentido e direção de sua obra referente a um futuro calculado (ou imaginado), nos apresenta uma característica nova frente ao sistema do ideário, de comportamento e de vida dos expoentes animais. A ampliação do horizonte temporal da consciência humana permite-lhe atrasos frente aos estímulos e a seu posicionamento em um espaço mental complexo, habilitado para a colocação de deliberações, comparações e resultantes fora do campo perceptivo imediato.
Em outras palavras: no ser humano não existe “natureza humana”, a menos que esta “natureza” seja considerada como uma capacidade diferente da animal, de estar se movendo de tempos em tempos fora do horizonte da percepção. Dito de outro modo: se existe algo de “natural” no ser humano, não é no sentido mineral, vegetal ou animal, mas sim de que o natural nele é a mudança, a história, a transformação. Tal idéia de mudança não se alinha de maneira conveniente com a idéia de “natureza” e por isso preferimos não usar esta última palavra como vem sendo feito e com a qual se tem justificado numerosas deslealdades contra o ser humano. Por exemplo: como os nativos de um lugar eram diferentes dos conquistadores de outro lugar, foram chamados de “naturais” ou aborígines. Como as raças apresentaram algumas diferenças morfológicas ou rudimentares, foram absorvidas por diferentes “naturezas” dentro da espécie humana e assim por diante.
Desse modo, existia uma ordem “natural” e mudar essa ordem era um pecado contra o estabelecido de modo definitivo. Diferentes raças, sexos e posições sociais estavam estabelecidas dentro de uma ordem supostamente natural, que deveria se conservar de modo permanente.
Assim, a ideia de natureza humana serviu a uma ordem de produção natural, mas se fraturou na época da transformação industrial. Até os dias de hoje vemos vestígios da ideologia zoológica da natureza humana na Psicologia, por exemplo, na qual ainda se fala de certas faculdades naturais como a “vontade” e coisas semelhantes. O direito natural, o Estado como parte da natureza humana projetada, etc., não contribuíram com nada mais do que sua cota de inércia histórica e negação da transformação.
Se a co-presença da consciência humana trabalha graças a sua enorme ampliação temporal e se a intencionalidade dessa consciência permite projetar um sentido,
Bem, estamos muito longe da idéia de natureza humana. Estamos no lado oposto. Quer dizer, se o natural asfixiou o humano, à mercê de uma ordem imposta com a idéia de permanência, agora estamos dizendo o contrário: que o natural deve ser humanizado e que esta humanização do mundo faz do homem um criador de sentido, de direção, de transformação. Se esse sentido é libertador das condições supostamente naturais de dor e sofrimento, o verdadeiramente humano é o que vai além do natural: é teu projeto, teu futuro, teu filho, tua brisa, teu amanhecer, tua tempestade, tua ira e tua carícia. É teu temor e teu estremecimento por um futuro, por um novo ser humano livre de dor e sofrimento.
Estudemos a segunda questão, isto é, o próprio registro da humanidade nos outros.
Enquanto registrarmos como natural a presença do outro, ele não passará de uma presença objetiva,
Enquanto não se experimente ao outro fora do para-mim, minha atividade vital não humanizará o mundo. O outro deveria ser para o meu registro interno, uma cálida sensação de futuro aberto que nem sequer termina no sem-sentido coisificador da morte.
Sentir o humano em outro é sentir a vida do outro como um belo arco-íris multicor, que cada vez se distancia na medida em que quero deter, confundir, arrebatar sua expressão. Você se afasta e eu me reconforto se é que contribuí para romper tuas correntes, superar tua dor e sofrimento. E se vens comigo é porque te constituis em um ato livre como ser humano, não simplesmente porque nasceste “humano”.
— Silo (Mario Rodríguez Cobos)
A RESPEITO DO HUMANO. Palestra para um grupo de estudos. Silo
Tortuguitas. Buenos Aires, Argentina.
1º de Maio de 1983
Baixar, compartilhar (em formato .pdf):
· A Respeito do Humano
· As Condições do Diálogo
· A Mensagem de Silo
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