sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Amanhecer Galático

Nosso sistema solar tem “dia” e “noite”
O sistema solar realiza o movimento de translação (deslocamento, numa elipse) com relação à Via Láctea, do mesmo modo que a Terra e os demais planetas o fazem em relação ao Sol e o Sol em relação a outras estrelas.

Segundo a astronomia Maia, o resultado desse movimento de translação do sistema solar — que se completa a cada 25.625 anos — é a ocorrência de um “dia” e de uma “noite”, no sistema solar.

animação amanhecer galático
Ao estar mais afastado do centro da Via Láctea, o sistema solar experimenta a sua “noite”. Ao estar mais próximo do centro da galáxia, ele experimenta o seu “dia”, de maneira semelhante ao que ocorre à Terra em relação ao Sol; só que, no caso da Terra, dia e noite ocorrem devido ao movimento de rotação do planeta em torno do seu próprio eixo, ao expor seus lados alternadamente em relação ao Sol.
Ao parecer, o ano Maia correspondente a 2012 marcou a entrada do sistema solar no início e no sentido da sua posição translacional mais próxima do centro da galáxia, ou seja, marcou o começo do seu “dia”, de vez que o sistema passou a receber, a partir do ano convencionado de 2012 para o calendário terrestre, maior “iluminação” proveniente do centro da galáxia.
Amanhecer galático (espanhol)
Não se sabe exatamente o que há no centro da galáxia. No entanto, é possível afirmar que há energia luminosa, pois esse fenômeno é visível e mensurável com o uso de modernos telescópios  e sondas de vários tipos.
Como essa energia luminosa influencia o comportamento do sistema solar, não se sabe ao certo. Há teorias de que existe alta concentração de plasma (matéria em seu quarto estado) no centro da galáxia. Não se sabe ao certo a função do plasma.
Sabe-se que a energia luminosa do Sol atinge a Terra e é fundamental ao surgimento e à manutenção da vida. É possível que a energia proveniente do centro da galáxia exerça uma função semelhante, ou reguladora, sobre os sistemas solares. Como nosso planeta e, portanto, nós mesmos, seres humanos, fazemos parte desse todo, estamos incluídos no sistema, obviamente devemos sofrer algum tipo de influência, também.
Muitas suposições e hipóteses podem aflorar desse evento — o “nascimento do dia” no sistema solar, ocorrido no ano de 2012, e de duas consequências para o planeta Terra e a espécie humana.

Algo me faz relacionar toda essa recorrência de movimentos elípticos que nos cerca, inclusive o dos corpos celestes, à afirmaçvlcsnap-2010-04-10-05h45m11s112ão da astônoma e matematicista platônica Hipátia de Alexandria, de que “tudo pode ser explicado a partir de elipses”. Ou seja, Hipátia atribuía às elipses atributos perfeccionistas.
Nietzsche_espelhado,Outro estudioso, Friedrich Nietzsche, formulou uma teoria (inacabada) do “eterno retorno” * que, de alguma maneira, também pode ser abstraída a partir de movimentos elípticos, sem prejuízo de outros.
Contribuições e comentários são bem-vindos.

Lincoln Sobral

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”Com o Eterno Retorno, Nietzsche questiona a ordem das coisas. Indica um mundo não feito de pólos opostos e inconciliáveis, mas de faces complementares de uma mesma—múltipla, mas única—realidade. Logo,
bem e mal, angústia e prazer, são instâncias complementares da realidade - instâncias que se alternam eternamente. Como a realidade não tem objetivo, ou finalidade (pois se tivesse já a teria alcançado), a alternância nunca finda. Ou seja, considerando-se o tempo infinito e as combinações de forças em conflito que formam cada instante finitas, em algum momento futuro tudo se repetirá infinitas vezes. Assim, vemos sempre os mesmos fatos retornarem indefinidamente.” Fonte: Wikipédia

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Para compreender O Humano

www.facebook.com/pnyxbema
Penso que esta seja uma das (poucas) intervenções mais bondosas que eu já tenha lido, ouvido, sentido, desde sempre. Por isso, compartilho com os leitores do Empatia é quase Amor.

A Respeito do Humano

Uma coisa é a compreensão do fenômeno humano em geral e outra coisa muito diferente é o próprio registro da humanidade do outro.


 Estudemos a primeira questão, ou seja, a compreensão do fenômeno humano em geral.


Se dissermos que o que caracteriza o humano é a sociabilidade ou a linguagem, ou a transmissão da experiência, não definimos cabalmente o humano, porque no mundo animal (ainda que desenvolvidas de maneira elementar), encontramos todas essas expressões. Observamos reconhecimentos químicos de organismos da colméia, dos cardumes ou das manadas, e atrações ou repulsões que se dão como conseqüência disso. Existem organizações de hospedeiros, parasitas e simbióticas nas quais reconhecemos formas elementares que logo veremos entremeadas em algumas agrupações humanas... Também encontramos uma espécie de “moral” animal e resultados sociais punitivos para os transgressores. Ainda quando vistas de fora, essas condutas podem ser interpretadas como instintos de preservação da espécie ou como implicação de reflexos condicionados e incondicionados. O rudimento técnico também não é estranho ao mundo animal, nem os sentimentos de afeto, ódio, pena e solidariedade entre membros de um grupo, ou entre espécies.

Bem, então, o que define o humano enquanto tal? O que o define é a reflexão do histórico-social como memória pessoal. Todo animal é sempre o primeiro animal, mas cada ser humano é seu meio histórico e social e, além disso, é a contribuição para a transformação ou inércia deste meio.
evolução
O meio para o animal é o meio natural. O meio para o ser humano é o meio histórico e social, é a transformação do mesmo e, certamente, é a adaptação do natural às necessidades imediatas e a longo prazo. Esta resposta diferenciada do ser humano frente aos estímulos imediatos, este sentido e direção de sua obra referente a um futuro calculado (ou imaginado), nos apresenta uma característica nova frente ao sistema do ideário, de comportamento e de vida dos expoentes animais. A ampliação do horizonte temporal da consciência humana permite-lhe atrasos frente aos estímulos e a seu posicionamento em um espaço mental complexo, habilitado para a colocação de deliberações, comparações e resultantes fora do campo perceptivo imediato.

Em outras palavras: no ser humano não existe “natureza humana”, a menos que esta “natureza” seja considerada como uma capacidade diferente da animal, de estar se movendo de tempos em tempos fora do horizonte da percepção. Dito de outro modo: se existe algo de “natural” no ser humano, não é no sentido mineral, vegetal ou animal, mas sim de que o natural nele é a mudança, a história, a transformação. Tal idéia de mudança não se alinha de maneira conveniente com a idéia de “natureza” e por isso preferimos não usar esta última palavra como vem sendo feito e com a qual se tem justificado numerosas deslealdades contra o ser humano. Por exemplo: como os nativos de um lugar eram diferentes dos conquistadores de outro lugar, foram chamados de “naturais” ou aborígines. Como as raças apresentaram algumas diferenças morfológicas ou rudimentares, foram absorvidas por diferentes “naturezas” dentro da espécie humana e assim por diante.

Desse modo, existia uma ordem “natural” e mudar essa ordem era um pecado contra o estabelecido de modo definitivo. Diferentes raças, sexos e posições sociais estavam estabelecidas dentro de uma ordem supostamente natural, que deveria se conservar de modo permanente.

Assim, a ideia de natureza humana serviu a uma ordem de produção natural, mas se fraturou na época da transformação industrial. Até os dias de hoje vemos vestígios da ideologia zoológica da natureza humana na Psicologia, por exemplo, na qual ainda se fala de certas faculdades naturais como a “vontade” e coisas semelhantes. O direito natural, o Estado como parte da natureza humana projetada, etc., não contribuíram com nada mais do que sua cota de inércia histórica e negação da transformação.

Se a co-presença da consciência humana trabalha graças a sua enorme ampliação temporal e se a intencionalidade dessa consciência permite projetar um sentido, daniel_zimmermann_self liberation_upo característico do ser humano é ser e fazer o sentido do mundo. Como se diz em Humanizar a Terra: “Nomeador de mil nomes, fazedor de sentido, transformador do mundo... teus pais e os pais de teus pais continuam em ti. Não és um bólido que cai e sim uma brilhante seta que voa aos céus. És o sentido do mundo e quando aclaras teu sentido, iluminas a Terra. Te direi qual é o sentido de tua vida aqui: Humanizar a Terra. O que é humanizar a Terra? É superar a dor e o sofrimento, é aprender sem limite, é amar a realidade que constróis...”

Bem, estamos muito longe da idéia de natureza humana. Estamos no lado oposto. Quer dizer, se o natural asfixiou o humano, à mercê de uma ordem imposta com a idéia de permanência, agora estamos dizendo o contrário: que o natural deve ser humanizado e que esta humanização do mundo faz do homem um criador de sentido, de direção, de transformação. Se esse sentido é libertador das condições supostamente naturais de dor e sofrimento, o verdadeiramente humano é o que vai além do natural: é teu projeto, teu futuro, teu filho, tua brisa, teu amanhecer, tua tempestade, tua ira e tua carícia. É teu temor e teu estremecimento por um futuro, por um novo ser humano livre de dor e sofrimento.


 Estudemos a segunda questão, isto é, o próprio registro da humanidade nos outros.


Enquanto registrarmos como natural a presença do outro, ele não passará de uma presença objetiva,Indígena da Nação Xerente_Brasil_PO ou particularmente animal. Enquanto estivermos anestesiados para perceber o horizonte temporal do outro, o outro não terá nenhum sentido além do para-mim. A natureza do outro será um para-mim. Mas ao construir o outro como um para-mim, me constituo e me alieno em meu próprio para-si. Quero dizer: “Eu sou para-mim” e com isso fecho meu horizonte de transformação. Quem coisifica, coisifica a si mesmo e com isso fecha seu horizonte.

Enquanto não se experimente ao outro fora do para-mim, minha atividade vital não humanizará o mundo. O outro deveria ser para o meu registro interno, uma cálida sensação de futuro aberto que nem sequer termina no sem-sentido coisificador da morte.

Sentir o humano em outro é sentir a vida do outro como um belo arco-íris multicor, que cada vez se distancia na medida em que quero deter, confundir, arrebatar sua expressão. Você se afasta e eu me reconforto se é que contribuí para romper tuas correntes, superar tua dor e sofrimento. E se vens comigo é porque te constituis em um ato livre como ser humano, não simplesmente porque nasceste “humano”.Silo (Mario Rodríguez Cobos), pensador e filósofo argentino Eu sinto em ti a liberdade e a possibilidade de constituir-te em ser humano. E meus atos têm em você o branco de liberdade. Então, nem tua morte pode deter as ações que puseste em marcha, porque és essencialmente tempo e liberdade. Amo, portanto, no ser humano, a sua humanização crescente. E nestes momentos de crise, de coisificação, nesses momentos de desumanização, amo sua possibilidade de reabilitação futura.
Silo (Mario Rodríguez Cobos)A cinta de Möebius representa o infinito

A RESPEITO DO HUMANO.  Palestra para um grupo de estudos. Silo
Tortuguitas. Buenos Aires, Argentina.
1º de Maio de 1983


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· A Respeito do Humano
· As Condições do Diálogo
· A Mensagem de Silo

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