segunda-feira, 28 de julho de 2025

Melhor ajustar as velas do que culpar os ventos


Para minhas meninas 

A vida é feita de razão e sensibilidade. Os dois devem equilibrar e temperar o viver. Devem conviver sem se sobrepor.

A bonança da vida é saber utilizar esses dois lados para as decisões que a vida nos oferece.

Sem sensibilidade não há percepção. Sem razão não há discernimento. Com muita sensibilidade você se perde no caminho das decisões e da exatidão. Com muita razão você torna o caminhar duro e pesado.

O caminhar não pode ser um fardo. Ele deve ser tranquilo, ainda que as tempestades venham e os ventos soprem fortes, as minhas velas internas precisam estar "ajustadas". Se não as ajusto corro o risco de não suportar as tempestades e culpar os ventos.

Mas como se ajusta as velas? Com cautela e precisão, verificando o que fica bom e o que não fica; esses ajustes fazemos em dias de brisa, ouvindo a voz que vem do coração. Se entendendo, se respeitando. A sua voz interior.

Velas ajustadas, seguimos no caminho, por brisas e ventos sem pensar nas tempestades, mas sabendo que elas existem, ou seja, sem esquecê-las. Apenas preparado para enfrentá- las.

Os tempos do viver encerram ciclos e abrem outros. Mas nos exigem coragem e velas bem ajustadas para suportar as adversidades e o mau tempo. Passada a tempestade, velas estão acolhidas pelo sol, que vem brilhar anunciando trégua.

Ajustem suas velas. Não culpem o vento. Saber enfrentar a tempestade depende do seu ajuste. Não culpe o vento, não culpe o outro. Vc é o condutor do caminho, faça-o como um bom marinheiro. Que sabe aproveitar a brisa, os dias de sol, sem se esquecer que precisa estar preparado para a próxima tempestade. Não é ficar pensando nela. Apenas saber que as adversidades existem. Ter razão e sensibilidade para enfrentá-las é o segredo.


Daysinho (Dayr Fernandes) - 18/6/1940-1974


quarta-feira, 15 de março de 2023

Hoje sonhei contigo


O roteiro foi um desses roteiros de sonho, que a gente só sabe relatar se anotá-los imediatamente depois de acordar, pois fazem sentido apenas na "realidade" dos sonhos. Caso não anotados, esvaem-se na névoa da imprecisão no curso de um mero dia. A sensação que nós deixam, ao acordar, é de que existem duas realidades com conceitos e parâmetros distintos, como água e óleo, como espuma e lama, realidades quase não miscíveis, não coexistentes. A realidade da vida desperto pode coexistir no sonho, mas a realidade do sonho pode não ter lógica, em variada medida, no momento em que estamos despertos. Muitas vezes a realidade do sonho não tem lógica alguma na vida desperta. O fato é que você estava lá no meu sonho, Tobey. Deitadinho aos meus pés, com a língua para fora e aquele olhar que só os cães tem: um olhar que no momento só posso definir, depois de muito matutar, como um olhar de esperança. Os cães têm um olhar de esperança.

Semanas antes, havia lido que sonhar com um cão preto significava haver tido uma interação com o Mahakala Negro, "O Grande Negro". Pensei: --"Imagina então conviver com um cão preto que se colocou aos seus cuidados!"; até escrevi no blog.... Mas o Mahakala Negro pareceu disposto a referendar essa realidade, pois me fez sonhar com você, filhinho Tobey. Hoje sonhei contigo, pela primeira vez Tobey.

Epílogo

O dia terminou para mim com a difícil missão de "salvar" uma mariposa de um ônibus lotado, de janelas vedadas e com o ar-condicionado ligado e enxotada por alguns passageiros. Propus-me uma pré-condição: caso conseguisse resgatá-la, isso teria um "significado" positivo. Ao me aproximar da última parada possível, com o ônibus já quase vazio, localizei-a: ela ainda estava lá, uma temperatura baixa, sem esperança , sem futuro!... Consegui capturá-la com o boné, sob o olhar de um ou outro passageiro curioso. Desci e caminhei umas duas quadras até uma rua pouco movimentada e arborizada. Desdobrei o boné no tronco de uma árvore. Ela subiu no tronco, lá permaneceu por alguns instantes e depois voou, para cumprir o seu destino(?). Entāo, uma sensação de equanimidade me preencheu.

Hoje contigo sonhei, Tobey.