sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Interações interdimensionais na visão dos indígenas mesoamericanos

Os indígenas mesoamericanos explicam que as intervenções de seres da dimensão espiritual em nossa dimensão se dão por um processo mediante o qual esses seres “dobram-se sobre si mesmos”, da mesma forma que no senso comum concebe-se que, para ascender ao mundo espiritual, é necessário que nos “desdobremos”.

O professor Pedro Pitarch, da Universidade Complutense de Madrid, propõe-se a explicar o processo em ¹ palestra.

El pliegue - Pedro Pitarch_rszd_up

Esperamos poder contar com um áudio ou uma transcrição da palestra, para entender o processo (link para evento no facebook).

A questão de "como" os seres do Outro Lado fazem para intervir aqui, como "se dobram", segundo explica o Pedro Pitarch, é relevante — e raramente, senão nunca, abordada.

Os indígenas de várias etnias dão alta importância a essas interações entre as duas dimensões (o nosso mundo solar e o mundo dos espíritos), devido a sua importância na manutenção da harmonia da vida social e da própria vida em si.

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Kachinas Hopi / Puebla

No caso dos Hopi (da América do Norte, do ramo dos Puebla, do México), os espíritos que intervêm em nossa dimensão, os Kachinas, são seres plenos de potência espiritual que disponibilizam ajuda para várias questões vitais. Difícil não fazer uma analogia dessa função com a dos bodhisattvas do budismo Mahayana e do budismo tibetano, e dos "santos" e seres mágicos de diversas religiões e cultos, que cumprem funções semelhantes.

Quanto ao nosso "desdobramento" para acessar o Outro Lado — de cuja ocorrência existem milhares de relatos, ainda que se tratem de experiências pessoais intransferíveis — parece que, na maioria das vezes, se dá espontaneamente, principalmente quando de compreensões profundas (“insights”) e da liberação de tensões psíquicas (em sonhos "hiper-realistas", por exemplo). Outro processo de “desdobramento” tradicionalmente aceito pelo senso comum se dá mediante processos “meditativos” — acompanhados de relaxamento corporal e mental e posturas específicas — geralmente associados a técnicas místicas e religiões orientais.

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¹ CEstA Intempestiva c/ Pedro Pitarch - A dobra [espiritual]: uma [metáfora] indígena mesoamericana de relação - sexta-feira, 05/12/2014, 14h

O Centro de Estudos Ameríndios convida a todos para a CEstA Intempestiva com o Professor Pedro Pitarch, da Universidad Complutense de Madrid.

Seguem abaixo o resumo e as informações do evento:

CEstA Intempestiva com Pedro Pitarch

A dobra [espiritual]: uma figura [metáfora] indígena mesoamericana de relação

"Tratarei de demonstrar como, entre os indígenas mesoamericanos. a relação entre o Outro Lado — o domínio dos espíritos, as divindades e a morte — e o mundo solar que nós humanos habitamos adota a figura da dobra. Os seres do Outro Lado dobram-se sobre si mesmos para aqui ingressar, assim como nós seres humanos nos desdobramos — transitória ou definitivamente — para lá nos dissolvermos. Como em um tecido, esses dois estados formam o anverso e reverso da existência. O conceito de dobra permite articular na pessoa os dois estados opostos do ser (corpo / alma) sem chegar a produzir verdadeiramente uma mescla ou hibridação."

USP - Av. Prof. Luciano Gualberto, 315 - Butantã - Prédio do Meio - Sala 8

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O riso animal

É crescente a especulação sobre as emoções animais, especialmente sobre o riso, essa expressão tão característica dos seres humanos

A risada é contagiosa

Os mecanismos na base da risada poderiam ter tido origem nos antigos primatas e terem sido herdados não somente pelo Homem, mas também pelos símios modernos. As pesquisadoras universitárias Marina Davila Ross e Elke Zimmermann, estudando o comportamento de 25 orangotangos com idades entre 2 e 12 anos, descobriram uma empatia e uma mímica que os capacita a copiarem as expressões, o riso incluído. O processo é de todo involuntário.

riso animal_up

Os cães também riem.

Segundo o professor Jaak Panksepp, o que se acreditava ser um comportamento exclusivamente humano é comum em muitas espécies de animais, e pode representar uma antiga resposta emocional que antecipa os sentimentos humanos e precede a capacidade de se comunicar com palavras. De acordo com Panksepp alguns sons que cães produzem quando brincam, como sopros, são na realidade risos. Mas nem todos os pesquisadores concordam: outros consideram o riso uma característica exclusivamente humana.

De Virgilio Notizie - Risate bestiali